PROFISSÃO PERPÉTUA | Mensagem de Agradecimento
PROFISSÃO PERPÉTUA | Mensagem de Agradecimento
2 de fevereiro de 2026 Por Renata CruzA celebração foi marcada por um momento especial: a manifestação de agradecimento da parte dos dois novos perpétuos, feita por Giovanni de Lucena Morais. Em um clima de oração e entrega, suas palavras refletiram a profundidade da experiência vivida e a consciência do passo assumido naquele dia.
Com simplicidade e emoção, Giovani expressou sua alegria e reconheceu a ação de Deus em sua caminhada, bem como o apoio da Família Salesiana e dos formadores que o acompanharam ao longo do discernimento vocacional, bem como ao seu colega Marcelo. Seu testemunho evidenciou o compromisso de viver a missão com fé, disponibilidade e espírito de serviço, recordando a todos a beleza de responder generosamente ao chamado vocacional.
AGRADECIMENTOS
Queridos irmãos e irmãs,
Gostaríamos de saudar, em primeiro lugar, o padre Inácio, nosso Inspetor, que tão solenemente presidiu esta sagrada liturgia. Saudamos também, em nome do padre João Carlos, que hoje celebra seus 50 anos de profissão religiosa. Saudamos todos os nossos irmãos salesianos. Se hoje estamos aqui, é porque muitos nos precederam e nos ajudaram a chegar até este momento, dando continuidade à missão de São João Bosco.
Saúdo igualmente os nossos familiares, amigos, religiosos e religiosas que se fazem presentes nesta celebração e que rezam conosco. De modo especial, também dirijo uma saudação àqueles que nos acompanham por meio dos meios de comunicação social.
São João Bosco foi um homem que procurou sempre viver na presença de Deus e deixou esse legado para nós, seus filhos. Toda a sua obra educativa tinha como objetivo fazer com que os jovens vivessem na presença de Deus e, ao longo da nossa formação vamos incutindo essa ideia, e aqui gostaria de compartilhar uma lembrança que introduz este momento de agradecimento.
Há dez anos, exatamente há dez anos, quando estive na comunidade de Carpina para participar do meu primeiro estágio vocacional, me deparei com uma frase exposta em alguns ambientes que nos leva justamente a reconhecer a presença de Deus em nossas vidas: “Deus tudo vê”, estava exposta em alguns ambientes. Imediatamente a forma como estava exposta, confesso que me causou certa estranheza, pois, as vezes parece que quando dizemos “Deus tudo vê”, acabamos incutindo um certo medo nas pessoas, como se Deus fosse um vigia que está constantemente lá do alto do céu, longe de nós a nos observar para no fim da vida, emitir um juízo matemático a respeito da nossa salvação. Porém passado alguns anos, tive a oportunidade de ressignificar essa impressão. Visitando um irmão que estava enfermo, entramos em seu quarto e vimos que ele havia exposto a frase: “Deus me vê”. Isso me tocou profundamente porque a consciência de nos reconhecermos vistos por Deus faz perceber que para além dos nossos atos exteriores. Deus vê quem realmente somos, em meio a tensão que existe entre nossas potencialidades e limites, angústias e alegrias, erros e acertos, pecados e virtudes.
É fazendo-se próximo que Deus nos vê e, mais do que isso, se põe ao nosso lado para caminhar pelas estradas da vida. Pois nos vê na pobreza da nossa humanidade, na miséria dos nossos pecados, mas também conhece o desejo profundo que alimentamos de levar uma vida que seja do seu agrado. E é por isso, que Ele nos estende a mão para nos ajudar a caminhar nesta peregrinação terrestre.
Dessa consciência que decorre do “Deus me vê”, vem a convicção de que Deus nos ama. E isso releva algo tão grandioso que chega a nos constranger. Este período de preparação para a profissão perpétua nos convida a revisitar nossas histórias e como é que poderia Deus, todo-poderoso, olhar do alto do céu e enxergar duas pequenas cidades no Rio Grande do Norte, Jardim do Seridó e Encanto, e, no meio dessas cidades, nos escolher a nós para segui-lo? Como poderia? Isso é de uma grandeza infinita que nos constrange porque nesta celebração, por meio dos nossos superiores, Ele aceita a oferta das nossas vidas, Ele aceita o pouco que temos a oferecer. Pois tal como outrora chamou os que quis para estarem com Ele e depois enviá-los em missão, Jesus também nos convidou a permanecer com Ele e a tomar parte de sua vida, para que sejamos no mundo sinais e portadores do seu amor aos jovens, sobretudo aos mais pobres.
O lema escolhido para esta celebração — “Não temas, estou contigo” expressa duas realidades. A primeira é que, se chegamos até este momento, foi pura graça de Deus. Foi Ele quem nos chamou, e nos assistiu tantos momentos ajudando-nos a perseverar principalmente nos momentos de dificuldade, até mesmo em tempos de pandemia, quando a morte se avizinhou de nós. Foram muitos os momento em que Deus nos assistiu. A segunda realidade é que também temos a certeza de que, a partir de agora, Ele continuará a caminhar conosco frente a grandiosidade da missão que assumimos.
E aqui eu gostaria de recordar o saudoso Papa Bento XVI, que, na primeira locução dirigida aos fieis do mundo inteiro após sua eleição, dizia: Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também como instrumentos insuficientes. Com a profissão religiosa, definida por nossas Constituições como um sinal do encontro de amor entre o Senhor que chama e o discípulo que responde, doando-se inteiramente a Ele e aos irmãos nós não encerramos hoje uma jornada; ao contrário, inauguramos um novo caminho, afirmando que queremos viver para sempre em sua presença como salesianos de Dom Bosco. E aqui cumprimos o dever de agradecer a Deus que por vias misteriosas nos conduziu até este momento. De minha parte recordo com alegria o despertar vocacional que se deu na paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Jardim do Seridó, ainda criança, acompanhado pelas irmãs, pude trilhar e dar os primeiros passos da vida cristã na Infância Missionária e depois de um momento de prova, lá no Instituto Maria Auxiliadora em Natal pude amadurecer esse chamado de Deus. Recordamos também com alegria e eterna gratidão a história de Marcelo, no Alto Oeste Potiguar, onde, sentiu-se chamado ao sacerdócio e durante uma missão de Semana Santa, na querida Serra do Mel confrontou-se de tal modo com o carisma salesiano, que sentiu a necessidade de ressignificar seu projeto de vida e recalcular a rota.
E olhando para trás, e recordando das inquietações que povoavam nossos corações antes da decidir que queríamos ser salesianos de Dom Bosco, agradecemos a Deus por ter nos dado a coragem necessária e mais do que isso, agradecer pelas pessoas que estiveram ao nosso lado.
Agradecemos, em primeiro lugar, aos nossos pais e irmãos, que nos apoiaram sempre, transmitiram a fé e a fortaleza na esperança. Aos nossos padrinhos, essa liturgia recorda a graça batismal, que junto aos nossos pais nos transmitiram a fé cristã que hoje assumimos de modo pleno, definitivo, no desejo de tornar, de viver radicalmente a graça batismal que recebemos.
E falando em família, não poderíamos esquecer daqueles que rezaram por nós e já se encontram na eternidade: os avós de Marcelo, Cosma Pereira da Silva e Pedro Augusto da Costa, grandes testemunhas de fé, assim como minha avó Otilda e minhas tias Helena e Hermínia. Tenho certeza que do céu oram por nós.
Aos amigos e benfeitores, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que colaboraram em nosso processo de discernimento vocacional e formativo, desde as bases até o tirocínio, nossa sincera gratidão, por colaborarem conosco neste processo de amadurecimento. Em nome do padre Inácio, nosso superior provincial, também nos dirigimos aos irmãos de nossa Inspetoria e aqui eu recordo a fala de padre Pessinatti numa profissão perpétua, ele dizia ao professando: nós te acolhemos como irmão e perguntava ao que professava: você nos acolhe como irmãos? Dizemos sim! Acolhemos! Estamos aqui para fazer parte de uma família e somos agradecidos a Deus por casa um de vocês. […]
Muito obrigado a todos. Nossa sincera gratidão.
