CONGREGAÇÃO | Itália – Festa de Maria Auxiliadora 2026: com o olhar voltado para Maria, para acolher o Espírito Santo
CONGREGAÇÃO | Itália – Festa de Maria Auxiliadora 2026: com o olhar voltado para Maria, para acolher o Espírito Santo
25 de maio de 2026 Por paulo(ANS – Turim) – A devoção de todo o povo salesiano à “Madona de Dom Bosco” manifestou-se mais uma vez de forma intensa durante a Festa de Maria Auxiliadora, celebrada em Valdocco no domingo, 24 de maio de 2026, Solenidade de Pentecostes. Missas solenes, Basílica constantemente repleta, o fluxo contínuo de peregrinos, a riqueza das homilias, a tradicional Procissão e, como novidade deste ano, os fogos de artifício: tudo contribuiu para tornar o Dia memorável e à altura das mais sentidas homenagens da FS a Maria, poderosa Auxiliadora dos Cristãos.
Na realidade, as celebrações tiveram início já no dia anterior, sábado, 23 de maio, também marcado por momentos espirituais e gestos simbólicos de forte impacto. Entre eles, destacaram-se o Rosário e a Missa vespertina, enriquecidos por uma expressiva homenagem do Corpo de Bombeiros de Turim, que depositou coroas de flores nas estátuas dos Arcanjos Miguel e Gabriel, e na imagem de Maria, situadas nas cúpulas da Basílica. Houve ainda a Maratona Noturna de Oração ao Espírito Santo, inspirada no tema “Perseverantes e unânimes na oração, com algumas mulheres e Maria, a Mãe de Jesus” (At 1,14). A Vigília, aberta com as Primeiras Vésperas de Pentecostes e presidida pelo Reitor-Mor, P. Fábio Attard, foi marcada por liturgia penitencial, Rosário, Missa noturna, cânticos, momentos de oração e interlúdios musicais ao som da harpa da maestrina Eleonora Savio e também pela inauguração da nova opção de visita virtual à Basílica.
Ao longo de todo o dia 24 de maio, o ambiente em Valdocco foi de intensa movimentação: grupos de peregrinos, religiosos e devotos de diversas nacionalidades, idades, culturas… ocuparam a Basílica de Maria Auxiliadora, bem como os pátios e espaços do complexo, participando das numerosas celebrações e atividades programadas — com sete Eucaristias distribuídas ao longo do dia.
Na Missa central da manhã, a das 11 (UTC+2) – depois das presididas pelos Representantes de Institutos quais o Cottolengo e o Seminário Maior de Turim, e a do Superior dos Salesianos do Piemonte e Vale d’Aosta, P. Leonardo Mancini – o principal Celebrante foi o Cardeal Roberto Repole, Arcebispo de Turim e Bispo de Susa, que em Sua homilia, referindo-se ao Evangelho de João lido em Assembleia, observou como o Pentecostes, a efusão do Espírito Santo, “nada mais seja que o desenvolvimento TOTAL da Páscoa de Cristo, no tempo da Igreja”.
Nessa perspectiva, explicou ainda, acolher o Espírito Santo significa “ser enxertado em Cristo Ressuscitado” e, assim, “participar desde agora das energias da Ressurreição”. A presença de Jesus no Cenáculo, que se manifesta entre os discípulos reunidos em oração com Maria, apesar das portas fechadas, evidencia que a sua ação já não conhece limites nem fronteiras: “não há mais lugar nem situação em que Ele não esteja presente”. Trata-se também de um envio confiado aos “homens e mulheres de Pentecostes”, chamados a dar continuidade, sem reservas, à missão de Jesus recebida do Pai.
Pentecostes, concluiu o Cardeal, significa que, em qualquer circunstância, os cristãos permanecem “presentes a Cristo Ressuscitado”: nunca estão sós e, por isso, não são mais reféns do medo, mas encorajados a acolher o mandato divino de viver “a sua missão”, e não a própria.
No período da tarde, após a bênção das crianças, a Adoração, as Segundas Vésperas e outra Missa, o XI Sucessor de Dom Bosco, P. Attard, presidiu a Eucaristia especialmente dedicada aos Jovens do Movimento Juvenil Salesiano (MJS).
Na homilia, o Reitor-Mor destacou a coincidência entre a Solenidade de Pentecostes e a Festa de Maria Auxiliadora, interpretando-a como uma “provocação” que permite reler, “com novos olhos”, tanto o mistério da descida do Espírito Santo quanto o mistério de Maria.
Nesse contexto, exortou os jovens a tomar Maria como modelo e a segui-la no caminho da vida, à luz de três verbos que marcaram a sua existência: “confiar-se, abandonar-se, deixar-se guiar”.
O primeiro movimento, o de confiar-se, não representa “uma rendição passiva”: Maria não renuncia ao protagonismo de sua própria história; pelo contrário, ela se torna completamente protagonista ao optar por não guardar a história para si.
Além disso, o abandono, explicou, “não é resignação passiva”, mas uma “resposta madura” de quem compreendeu que a vida mais autêntica não se constrói sozinho, mas se recebe, tornando-se espaço sagrado para a ação de algo maior no coração e na própria existência.
Por fim, o deixar-se guiar: ao recordar a transformação dos apóstolos — de homens fechados no Cenáculo “por medo” a anunciadores do Reino após Pentecostes — o P. Attard sublinhou que foi “o fogo do Espírito” que mudou seus corações. Um fogo que “não é romantismo espiritual, não é um passeio: é uma cruz”, mas que, paradoxalmente, “é a experiência mais libertadora que possa ocorrer”.
Concluindo, o XI Sucessor de Dom Bosco convidou os jovens: “Aprendamos com Maria os três movimentos essenciais da vida cristã: confiar-se com decisão, abandonar-se com sabedoria e deixar-se guiar com alegria. A vida é um dom que Deus nos confia; quando a apertamos como se fosse propriedade nossa, tiramos dela o oxigênio, mas quando a entregamos a Deus, como fez Maria, vemos esse dom florescer e se expandir”.
A seguir, a assembleia uniu-se aos fiéis reunidos na praça de Maria Auxiliadora, diante da Basílica, bem como aos grupos oratorianos e paroquiais provenientes de diversas realidades eclesiais e salesianas da cidade e do Piemonte, acompanhando em procissão a imagem de Maria Auxiliadora, iluminada e ornada com flores.
O tradicional cortejo mariano encerrou-se diante da igreja, entre cânticos, hinos e orações à Madona de Dom Bosco, culminando com um sugestivo espetáculo de fogos de artifício que, como marca inédita deste ano, conferiu à celebração um caráter ainda mais festivo e popular.
Em declaração à ANS, o Reitor da Basílica de Maria Auxiliadora, P. Michele Viviano, expressou profunda satisfação pela preparação e pela expressiva participação dos Fiéis. Após os anos marcados pelas restrições da pandemia, destacou com alegria o clima sereno e envolvente vivido durante as celebrações.
“Foi muito comovente — afirmou — ver crianças, idosos, pessoas em cadeira de rodas e uma multidão imensa caminhando junta pelas ruas ao redor de Valdocco, honrando e rezando à nossa Mãe. Uma imagem concreta de Igreja que caminha unida, na Fé simples e profunda do povo de Deus.”
O P. Viviano ressaltou ainda que Maria Auxiliadora continua a manifestar sinais de sua presença e intercessão também hoje, como no tempo de Dom Bosco. Os fiéis — observou — reconhecem como atuais as palavras do santo dos jovens: “Tende Fé em Maria Auxiliadora e vereis o que são os milagres”. Também neste ano, em Valdocco, essa promessa pareceu ecoar com renovada força no coração de todos
Fonte: ANS




















