RECIFE | Turno Complementar une leitura, diálogo e consciência social com o Livro de Djamila Ribeiro
RECIFE | Turno Complementar une leitura, diálogo e consciência social com o Livro de Djamila Ribeiro
ESCOLA E CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL 2 de junho de 2026 Por pauloO Turno Complementar dos anos finais do Colégio Salesiano Recife vai muito além do suporte às atividades e trabalhos escolares. Entre as diversas opções oferecidas, os nossos estudantes também contam com a participação em um projeto de leitura que vem proporcionando momentos ricos de aprendizado, reflexão e formação humana.
Ao lado da bibliotecária Maria Thamyres, os alunos iniciaram uma nova leitura com uma temática bem diferente das obras de ficção e fantasia a que estavam acostumados. Desta vez, eles mergulharam em uma proposta de conscientização social e reflexão crítica sobre o racismo.
As atividades começaram com a escuta de uma música do rapper Emicida. Por meio da letra da canção, os estudantes foram introduzidos à discussão do livro Pequeno Manual Antirracista, da filósofa e escritora brasileira Djamila Ribeiro.
Em uma leitura coletiva, os alunos debateram o capítulo “Perceba o racismo internalizado em você”. Ao longo da atividade, pausas estratégicas eram propostas pela bibliotecária, com perguntas que incentivavam o debate sobre como notar casos de racismo que ainda estão enraizados e são naturalizados em pequenas situações do dia a dia.
Esses momentos foram fundamentais para que os estudantes pudessem compartilhar casos de racismo que presenciaram ou notaram em seu cotidiano, compreendendo em detalhes como eles se manifestam a partir do que foi discutido no capítulo. A obra também conduziu os alunos a um processo de conscientização sobre a estrutura da nossa sociedade, ajudando-os a reconhecer seus papéis no combate a esse problema social tão presente nas bases do país.
O livro também levou o grupo a refletir sobre questões históricas e sociais que dialogam diretamente com os conteúdos estudados em sala de aula, em especial os que se relacionam com o período em que o Brasil estava sob o controle da colônia portuguesa, época em que pessoas eram trazidas forçadamente de seus países de origem para serem escravizadas aqui.
Outro ponto abordado foi como as pequenas “brincadeiras” vistas em grande maioria nas redes sociais e na própria convivência social contribuem para que o racismo continue sendo propagado, reforçando preconceitos estruturais.
Como destaca Djamila Ribeiro em sua obra:
“Não basta ter um ou dois negros na empresa, na TV, no museu, no ministério, na bibliografia do curso. Se disserem que ser antirracista é ser ‘o chato’, tudo bem. Precisamos continuar lutando.”
Momentos como esse contribuem diretamente para o desenvolvimento do senso crítico, da empatia e da consciência social, formando jovens mais preparados para transformar a realidade à sua volta com respeito, diálogo e humanidade.
Por Laís Tavares



