83ª ROMARIA DA FAMÍLIA SALESIANA | A Homilia do Pe. Inspetor Francisco Inácio
83ª ROMARIA DA FAMÍLIA SALESIANA | A Homilia do Pe. Inspetor Francisco Inácio
21 de setembro de 2026 Por pauloConfira a Homilia do Pe. Inspetor, Francisco Inácio, durante a programação da 83ª Romaria da Família Salesiana, realizada neste último Domingo, 20 de setembro:
Caríssimos irmãos no presbitério, amados irmãos e irmãs aqui presentes, e tantos irmãos e irmãs que rezam conosco através do YouTube da nossa Inspetoria Salesiana do Nordeste; tantos que receberam as nossas fotografias, os nossos registros e que estão em comunhão conosco.
“Fazei tudo o que Ele vos disser” é o tema da nossa romaria, nestes 83 anos de grande devoção e de grande manifestação de gratidão a Deus, porque, na sua providência, quis contar com Nossa Senhora nesse mistério maravilhoso que nós celebramos na Eucaristia: a nossa salvação, a nossa redenção, porque Ele nos amou por primeiro.
Nós conhecemos bem o Evangelho. O Evangelho diz que este foi o início dos sinais de Jesus. No Evangelho de João, há sete grandes sinais; este é o evento fundador desses sinais. Jesus fez, então, outros grandes sinais.
O grande sinal de Jesus é a manifestação grandiosa da sua presença, que transforma, porque o Evangelho fala de um desastre terrível para o povo da Bíblia. Imaginem só: faltava o essencial naquela festa de casamento; faltava o vinho, faltava algo que os deixava preocupados e tensos.
O Reitor-Mor, comentando esse Evangelho neste ano, na nossa Estreia, diz que é preciso ter um olhar atento para ver as necessidades dos irmãos e irmãs. Esse Evangelho fala desse olhar. Depois, diz que é preciso escutar, com muita atenção, cada situação da vida.
Repararam que a gente está com menos paciência, agora, para escutar as pessoas, para olhar no rosto das pessoas, para escutar as suas histórias? Porque o celular está o tempo todo chamando a gente, não é? É para resolver problemas? Situações, todo mundo tem, e se preocupa.
O Reitor-Mor diz, olhando para esse Evangelho: olhar as situações, escutar com atenção as necessidades, saber escolher e, depois, saber agir. Esses quatro verbos, essas quatro atitudes, estavam, de modo exemplar, no texto do Evangelho, em quem? Na figura maravilhosa da mãe de Jesus, convidada, com os discípulos, para a grande festa de casamento.
Imaginem só o grande desastre e ter alguém que pense, que se aproxime, observe, veja a situação difícil, não cruze os braços, saiba escolher, saiba agir e dê um mandamento, uma ordem que serve para acalentar a Igreja em todos os tempos.
Nossa Senhora diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Ora, isso não diz respeito somente às coisas de ordem prática, porque era preciso resolver aquela situação; era um desmantelo só naquela festa, faltando vinho, mas diz respeito a fazermos juntos a vontade de Deus.
Reparem, meus irmãos e irmãs: na hora do desespero, na hora da dor, quando falta o vinho da harmonia na família, quando falta o vinho do amor entre nós, quando falta o vinho das nossas melhores relações fraternas, quando falta o vinho da nossa caridade, quando falta o vinho da nossa integração como Igreja, como grupo, como Família Salesiana; quando falta tudo isso, nós precisamos recorrer àquilo que Nossa Senhora disse no Evangelho.
Precisamos procurar nos conectar mais uma vez com a Palavra de Deus, procurando fazer com que esse grande sinal, que é a manifestação de Jesus, passe também através de nós, frágeis, limitados e pecadores como somos todos.
A grandeza de Deus, o seu dom misericordioso, conta com cada um de nós.
Havia outro desastre também na primeira leitura que nós escutamos. Ele é, igualmente, um sinal relacionado à Virgem Maria, porque favorece a harmonia da salvação que vem de Deus.
Um grande sinal aparece no céu, e nós cantamos que grandes também são as obras maravilhosas de Deus. Se a gente enxergar e pensar um pouco mais, vai perceber que, na festa da nossa vida, a gente tem que chamar Nossa Senhora.
Na festa da nossa existência, a gente tem que dar vez, dar espaço e dar oportunidade para que a graça de Deus aconteça. Às vezes, a gente está tão fechado, não vê saída para nada, e a primeira solução em que pensamos é o desespero: “Nada presta, nada funciona; comigo é assim; tinha que ser esse desastre”.
Às vezes, pensamos dessa forma.
No entanto, o vinho novo da alegria de Deus vem ao coração daquele que acredita na sua presença, que acredita na força transformadora do amor de Deus, que vai movendo os corações e as situações mais difíceis, para que reconheçamos todos que, com a sua presença, com o seu amor e com o seu carinho de Pai, Deus, no seu amor misericordioso manifestado plenamente em Jesus Cristo, nos permite vencer e atravessar todas as carências da nossa existência neste mundo tão difícil, nesta sociedade tão desorganizada.
A gente está assim hoje, não é? Em tempo de política, está pior ainda. Quem é que pode colocar ordem em tudo isso? Somente, meus irmãos e irmãs, se recorrermos a Maria Santíssima, que nos ensina, na sua escola e no seu modo de dizer, a fazer a vontade de Deus.
Se a gente pensar, desde os primeiros minutos do nosso dia até os últimos minutos da nossa jornada, quanto nós pensamos em Deus? Os aperreios são tantos que a gente até se esquece; é preciso ter cuidado. Sem meditação da Palavra, sem escutar de bom grado a Palavra de Deus, sem abrir o coração ao silêncio para a oração, não há vida cristã que se sustente.
E nós olhamos para Dom Bosco, nosso pai. Tantos afazeres! A jornada de Dom Bosco era intensa, cheia de compromissos, como tantas jornadas de tantos de nós.
Dar prioridade a Deus, dar prioridade à vontade de Deus: esse é também o ensinamento de Dom Bosco. A sua obra, a sua grande família, os tantos grupos da Família Salesiana espalhados no mundo inteiro não querem fazer outra coisa senão a vontade de Deus, fazer o que Ele vos disser.
E aí sim, meus irmãos e irmãs, voltando para casa, pegando nossos ônibus, nossas motos, nossas bicicletas, ou aqueles que vieram a pé, o nosso coração sai transformado.
Porque, nessa grande festa da Romaria, mesmo faltando tanta coisa em nosso coração, o essencial não faltou: o Senhor que nós aclamamos, que está no meio de nós; a sua Palavra salvadora e os sinais da sua presença no pão e no vinho, que se tornarão o Corpo e o Sangue do Senhor para a nossa salvação.
E a última coisa desta Missa: como toda a Eucaristia, sobretudo aos domingos, nós somos enviados em missão. “Ide em paz”, nós escutaremos.
Nós vamos na paz, vamos na bênção, vamos chegar em paz e comunicar a todas as pessoas que estão conosco; desde o círculo menor, do primeiro circuito das nossas relações, até as pessoas mais distantes; o amor que nós experimentamos aqui.
A graça de Deus, que nós tocamos em tantos momentos desta jornada, nos acompanhará.
Olhem para Nossa Senhora, nesta imagem tão bonita. Eu gosto de olhar para Nossa Senhora Auxiliadora porque parece que ela vai dizendo assim: “Olha, pegue este menino; venha, pegue, pegue!”, entregando-o a nós.
Abram os seus braços, aí mesmo, sentados, e acolham Jesus Cristo, Filho de Maria.
Ela olha para a gente e diz: “Olhem, façam o que Ele está dizendo; fazei o que Ele vos disser”.
Escutamos no Evangelho, nesses braços abertos, na nossa oração silenciosa: acolhamos mais uma vez a Palavra de Deus; acolhamos Nossa Senhora como mãe solícita na nossa existência, em tantos momentos difíceis.
E, neste instante de silêncio, antes da profissão de fé, diga a Deus de que acolhida você precisa em seu coração nesta romaria, nesta jornada da sua vida.
Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!
Pe. Francisco Inácio, Inspetor Salesiano
(Transcrito pelo Serviço Inspetorial de Comunicação Social).
Confira, na íntegra, a Celebração Eucarística transmitida pelo canal oficial do YouTube da Inspetoria Salesiana São Luiz Gonzaga:
Por Serviço Inspetorial de Comunicação Social
