CONGREGAÇÃO | RMG – Reitor-Mor: “As pequenas fidelidades constroem a civilização do amor”
CONGREGAÇÃO | RMG – Reitor-Mor: “As pequenas fidelidades constroem a civilização do amor”
20 de outubro de 2026 Por paulo(ANS – Roma) – Na noite de 19 de outubro de 2026, na Capela da Sede Central Salesiana, o Reitor-Mor, P. Fábio Attard, dirigiu, à Comunidade do Sagrado Coração e aos Vigários Inspetoriais – reunidos em Roma para o Encontro de formação, realizado de 18 a 24 de outubro – sua mensagem de boa-noite.
A seguir, o texto integral:
Uma reflexão sobre o quinto capítulo da Magnifica humanitas
No quinto capítulo da Magnifica humanitas, o Papa Leão fala de uma cultura da potência. É uma mentalidade em que a disponibilidade dos meios e a capacidade de dominar acabam por ditar a agenda. Nela, aquilo que é tecnicamente possível parece tornar-se, por isso mesmo, lícito, e a força já não reconhece limite algum.
A esta cultura o Papa não opõe outra forma de potência, mas outro caminho: a civilização do amor, segundo a expressão tão querida a São Paulo VI. Ela consiste em traduzir a caridade em estruturas de justiça (n. 186), em dar corpo, também institucional, à fraternidade.
Uma tentação subtil
É precisamente aqui que a encíclica identifica uma tentação insidiosa: subestimar aquilo que, com humildade, podemos oferecer. O Papa descreve-a assim: pensar que os problemas são grandes demais e nós pequenos demais, e que por isso as nossas escolhas não mudam nada, é uma forma elegante de rendição, muitas vezes disfarçada de realismo (n. 212).
Esta voz tem o rosto do bom senso, mas torna-nos derrotados antes mesmo de começar. O Evangelho conhece outra medida: o grão de mostarda que se torna árvore (cf. Mt 13,31-32), as duas pequenas moedas da viúva (cf. Mc 12,41-44), os cinco pães nas mãos do Senhor (cf. Jo 6,9). Deus não pede a nossa grandeza, mas a nossa disponibilidade.
Nem todos têm o mesmo poder de incidir sobre a realidade; mas ninguém está isento de responsabilidade. Cada um dispõe do seu próprio âmbito de ação e aí, não noutro lugar, é chamado a escolher. Pode alimentar a lógica da força (ainda que apenas com indiferença, cinismo, mentira, ódio) ou guardar a lógica da paz (com verdade, sobriedade, proximidade, cuidado) (n. 212).
Fidelidades pequenas e tenazes
O Papa Leão entrega-nos um princípio simples e são: A civilização do amor não nasce de um gesto único e espetacular, mas de uma soma de fidelidades pequenas e tenazes, que servem de dique contra a desumanização (n. 213). É a santidade do quotidiano que Dom Bosco nos ensinou.
O capítulo termina com um convite essencial: rezar e esperar. A paz, antes de ser obra nossa, é dom de Deus. A civilização do amor não é um projeto que possamos realizar apenas com as nossas forças, mas a caridade de Deus que pede para passar através de nós. Não nos é pedido que salvemos o mundo, mas que sejamos fiéis.
Deixemo-nos moldar, dia após dia, por este desejo, para que a nossa vida se torne, para os jovens e para todos aqueles que encontramos, o caminho mais excelente que conduz a Ele. Que Maria, Mãe da caridade e nossa Auxiliadora, nos acompanhe neste caminho.
Fonte: ANS
