COMEMORAÇÕES JUBILARES | P. Ferreirinha, 60 anos de Vida Sacerdotal

COMEMORAÇÕES JUBILARES | P. Ferreirinha, 60 anos de Vida Sacerdotal
22 de julho de 2021 Por paulo“Eu, não. Meu pai não deixa!”
É uma longa história.
A educação da minha família, do meu pai, de modo especial, que pensava que filho era pra trabalhar na roça ou no trabalho pesado. E mulher tinha que ficar em casa, na cozinha, sem poder frequentar a escola. Quem me fez ir à escola foi o Sr. Batista, Coadjutor Salesiano, que, em 1940, me tirou do meio dos colegas do Oratório Salesiano e me perguntou se eu gostaria de ir à escola. Eu disse que não, “pois meu pai quer que eu trabalhe”. Seu Batista falou: “A Escola é de noite”. Eu respondi que a a escola era longe e ele avisou que Dom Bosco iria dar um jeito nisso.
Assim como Jesus falava com Maria, eu falei com minha mãe: “Aquele velho da cabeça branca disse que era pra eu ir à escola. Ela ficou calada, e quando meu pai chegou em casa, à noite, conversou com ele e a resposta foi NÃO! Mas, acabou voltando atrás e deixando, mas que eu não deixasse o trabalho.
Daí, minha mãe arrumou um lápis, uma borracha, uma cartilha de ABC e um caderno. Então eu andava 20km a pé, de noite, pra voltar de madrugada, e, de manhã, pegar no serviço.
Após 2 anos, Seu Batista me seguindo no caminho disse que eu iria ser salesiano. Falei: ‘Eu não, meu pai não deixa’.
Depois de algum tempo, meu pai adoeceu e levou a familia pra outra localidade. Um dia, estava na roça, e chegou o aspirante Daniel para falar comigo. À cavalo, meu pai chega e pede para eu ir para casa, que, no dia seguinte, eu iria de caminhão para a escola, por volta das 8h. Resumindo, em 5 de março de 1945, eu iria ser Coadjutor.
Nessa época, quando me apresentei a um colega, fui perguntado qual seria a minha vocação.
Eu disse que não sabia o que era isso. Depois, me perguntou se eu seria padre e ou coadjutor.
Na hora, soltei: ‘Sr. Batista disse que eu vou ser salesiano’.
Um dia, Padre João Seu, depois que eu ajudei uma Missa dele na Escola São Sebastião, no Santuário Nossa Senhora Imaculada Auxiliadora dos Cristãos, ele me perguntou por que que eu não me tornaria um sacerdote. Eu disse que eu já estava muito velho e atrasado nos estudos, que não queria. Padre João me falou que isso não importava, pois outros sacerdotes também tinham a mesma realidade que eu.
Então, eu decidi tentar. Vim pra Recife, e, depois de 13 anos, eu rezei minha primeira Missa.
Padre Visentin, no almoço, com todas autoridades presentes…
Hoje, são 70 anos de Salesiano de Dom Bosco (2022), 60 anos de sacerdote. E eu gosto daquela frase do Pe. Leôncio da Silva que está na parede da biblioteca do Sagrado Coração do Recife (se ninguém apagou): “Vale a pena ser padre, vale a pena ser salesiano”. E salesiano eu digo hoje, segundo o coração de São João Bosco, de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem Maria Imaculada Conceição.”
Por Pe. José Ferreira, falando em vídeo para o NH
Observações do Arquivo Inspetorial:


