ARTIGO – Pe. João Carlos | CRISE NO SENA

ARTIGO – Pe. João Carlos | CRISE NO SENA
Comunicação 31 de julho de 2024 Por pauloA bela cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos em Paris, na última sexta-feira, 26 de julho, foi oportunidade para alguns desencontros e mal-estar.
Crise no Sena
A abertura dos jogos foi uma cerimônia admirável, acompanhada por bilhões de espectadores. Pela primeira vez, aconteceu uma abertura dos Jogos Olímpicos fora de estádio. Foi no Rio Sena, com desfile de delegações desportivas em 85 barcos, muitos quadros artísticos e performances de artistas de todo o mundo como Lady Gaga e Céline Dion.
Nem todo mundo gostou da linda festa de abertura. Um empresário brasileiro que pagou 15 mil reais para assistir a abertura, ficou decepcionado e reclamou nas redes sociais da chuva que levou em arquibancada descoberta, da dificuldade para chegar ao local, do frio, do desconforto. As críticas do empresário ganharam as páginas dos noticiários.
Um dos quadros artísticos da cerimônia de abertura foi particularmente polêmico. Apresentou-se uma cena que os grupos religiosos entenderam que se tratava de uma alusão à Última Ceia. E tomaram isso como deboche, crítica, ridicularização de algo sagrado, como é a Última Ceia, a Eucaristia.
A Conferência Episcopal da França emitiu uma nota, no dia seguinte. Mesmo considerando a beleza do evento, mostrou a mágoa da Igreja e, como eles disseram, dos “cristãos de todos os continentes que foram feridos pelo excesso e pela provocação de certas cenas”. A cerimônia “incluiu cenas de escárnio e zombaria do cristianismo, que deploramos profundamente”, disseram os bispos.
O Comitê Olímpico Internacional emitiu nota oficial, no domingo, afirmando que nunca houve intenção de desrespeitar nenhum grupo religioso durante a cerimônia de abertura dos jogos. A organização negou, em diversas entrevistas, que a cena tenha sido uma alusão à Última Ceia.
Para melhor entendimento, a cena foi protagonizada por um grupo de drag queens, uma modelo transgênero e um cantor nu (ou quase isso) representando Dionísio, o deus grego do vinho, das festas e do teatro. Este deus pagão era festejado com bebedeiras e orgias, em cerimônias chamadas Festivais. Segundo os organizadores, a ideia era fazer um grande festival ligado aos deuses do Olimpo, evocando o ambiente cultural onde nasceram as Olimpíadas.
O certo é que a França, que vive hoje uma crise política muito grave e com enorme presença de imigrantes de origem muçulmana, vive também um crescente distanciamento da fé cristã. Num evento que se pretendia sem referências religiosas, exibe uma cena de bacanal de deus pagão, exaltando o que chamam de diversidade sexual e espírito olímpico.
A Conferência Episcopal da França concluiu sua nota em tom mais brando. Recordou que o desporto “é uma atividade maravilhosa que encanta profundamente os corações dos atletas e dos espectadores” e que as Olimpíadas são um “movimento a serviço da unidade e da fraternidade humana”.
Pe. João Carlos Ribeiro
Imagem: Poder 360


