CAUSOS SALESIANOS | Padre José Rolim, o canário
CAUSOS SALESIANOS | Padre José Rolim, o canário
10 de março de 2021 Por pauloO exagero constituía um traço marcante do Padre José Rolim Rodrigues, craque de futebol, meu – e de quantos? – professor de Latim, Inglês e OSPB, disciplina imposta pela revolução
de 1964, na quarta ginasial. Ele sabia todas as aulas de cor, e os sermões solenes também. Ensinando a matéria do governo revolucionário, ele valia-se do auxílio do Padre Aguinaldo, que
vinha de ‘mestrado’ pela Itália, para entender bem e explicar-nos com precisão e clareza a diferença entre nação, estado e país, por exemplo. Como sei isso? Eu fui ‘secretário’ depois de Janilto
Rodrigues de Andrade e, ao lado da secretaria, no corredor dos quartos dos salesianos, participava, calado, de conversa dos dois.
Como secretário, trabalhava nas notas, nos horários ou nos boletins – lembram o quadro com o ‘cartão’ cada um, mês a mês? Não eram bimestrais as notas. Eram mensais. Pois bem, em uma aula
de OSPB, cujo conteúdo Padre Rolim ditava, para depois explicar e discutir, falando de condições de trabalho da polícia, ele disse que os soldados do Piauí nem dispunham de botas; trabalhavam
descalços. Ríamos da humilhação. Havia duas gramáticas de Ravizza – a antiga, pequena, velhinha, faltando algumas páginas, acabando-se, e a grande, o tijolão. Um dia, no primeiro ano, que
usava a gramática latina velha, para explicar e declinar os neutros em AL-E-AR, disse: Quem tiver a página 28 do Ravizza, pode abrir. Segunda-feira, o café saía apenas depois da leitura de notas,
de comportamento, lembrem. No seu timbre apocalíptico, Padre Rolim gritou: Por causa das conversas de vocês, qualquer dia desses, quando entrarem na capela, Domingos Sávio não estará
mais no altar. Em 1965, Padre Rolim recebeu como obediência ser Conselheiro do turno da tarde em Recife. Acostumado com os ‘cordeiros’ de Carpina, enfrentou sérias difi culdades para enfi leirar os externos em silêncio, antes do início das aulas, usando uma campainha. Depois de um ano na difícil tarefa, declarava, ‘se’ rindo (como falava o Padre Paixão): O badalo da campainha caía
e os alunos não faziam silêncio. Das engraçadas do Padre Rolim, mais uma até hoje faz-me rir. Contava ele que em uma missa solene, não se dizia concelebração, o primeiro ‘concelebrante’
era o Diácono; o segundo era o Subdiácono. No dia, estavam Padre Antônio José, Padre Tiago Gallo e ele, reconhecidamente três desafi nados. As entonações das missas solenes cantadas eram importantes, mas não decisivas, porque o harmonium corrigia o tom para a resposta, mas ele sapecou: no meio dos três, eu era um canário.
(Carpina cinqüentã: um lustro imorredouro – Francisco Felipe Filho, no livro 50 anos do ‘Aspirantado salesiano de Carpina
