FORMAÇÃO | Profissão Perpétua: Vocação vivida no espírito de Dom Bosco
FORMAÇÃO | Profissão Perpétua: Vocação vivida no espírito de Dom Bosco
2 de fevereiro de 2026 Por Renata CruzA Celebração Eucarística com a Profissão Perpétua, que reuniu salesianos, familiares e membros da família salesiana, foi presidida pelo Pe. Inspetor Francisco Inácio, com a concelebração de sacerdotes da Inspetoria São Luiz Gonzaga. O momento foi marcado pela fé, pela comunhão e pelo compromisso com a missão salesiana.
A seguir, compartilhamos a homilia proferida pelo Pe. Inspetor, convidando à reflexão sobre a vocação e a entrega a Deus.
Caríssimos irmãos no presbitério, amados irmãos e irmãs, querida família salesiana, membros da família salesiana dos nossos irmãos Giovanni e Marcelo, a Palavra de Deus, no contexto da solenidade de nosso pai fundador São João Bosco, na ocasião da profissão perpétua destes nossos irmãos, indica uma clara estrada eclesial, uma estrada para toda a comunidade dos discípulos de Jesus, um caminho a ser seguido.
Estando em Cafarnaum, no contexto do discurso eclesial do evangelista Mateus, Jesus é provocado por uma pergunta dos discípulos, uma pergunta, de certo modo, mal formulada, porque parte de referenciais opostos àqueles do sobre o Reino dos Céus. Uma preocupação, portanto, totalmente alheia e até contrária ao espírito do Evangelho. A pergunta revela muito do coração dos discípulos: quem é o maior no Reino dos Céus?
Jesus pacientemente fala ao coração limitado dos discípulos, não com grandes discursos: conversão, pequenez, docilidade, simplicidade, nas palavras de Jesus, como uma criança.
Nossa sociedade, irmãos, é marcada por relações de interesses que enfatizam a busca constante pelo poder, onde sobressaísse em detrimento dos demais conquistar notoriedade e visibilidade, comentar maldosamente os próprios potenciais comparando-os às deficiências ou limitações dos outros, onde pessoas são classificadas como fracas ou fortes, capazes ou incapazes, de nível ou não.
Para quem se dirige a palavra de Jesus? A todos nós, a toda a Igreja, principalmente aos que publicamente professamos o caminho da humildade e da pequenez com a vida consagrada: “se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças”.
A Palavra de Deus ensina que a sabedoria, a técnica, a inteligência do mundo não garantem absolutamente a posse da verdade. O que garante é ter um coração aberto a Deus, às suas propostas. E, com frequência, irmãos e irmãs, com muita frequência são os pequeninos, os evangelicamente pobres, os humildes, que sintonizam com Deus, que harmonizam o coração com Deus, que acolhem a verdade do Evangelho que Ele quer oferecer a todos para levar à plenitude.
Nós, homens e mulheres deste tempo, somos tentados a admirar os sábios, os inteligentes, os intelectuais, os ricos, os poderosos, os melhores, segundo o nosso parecer. Mas, na Palavra de Deus, os que ditam modas ou ideias ou definem o que deve ser feito não correspondem ao Evangelho.
Nessa pergunta provocada dos discípulos a Jesus, também me fez recordar uma lembrança de família. Era o dia 22 de março de 1858. Dom Bosco, jovem ainda, praticamente há um ano do início da nossa Congregação, é recebido em audiência pelo Papa Pio IX. É a segunda de tantas audiências de Dom Bosco com o Papa Pio IX.
O Papa pergunta a Dom Bosco: “Dom Bosco, entre tantas ciências que o senhor estudou, qual foi a que mais lhe agradou?”. “Santo Padre”, respondeu Dom Bosco, parafraseando São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios. Surpreendente, irmãos: “Meus conhecimentos não são muitos, mas aquele que eu gostaria e desejo sempre é Scire Christum et eum crucifixum”. O texto está em latim nas Memórias Biográficas: é conhecer Jesus Cristo e este crucificado. Essa é a resposta de Dom Bosco ao Papa.
O Santo Padre, provando a grandeza de alma de Dom Bosco, apresenta-lhe então alguma proposta, sabemos qual: privilégios, estar perto do Papa, em alguma situação e, sem titubear, Dom Bosco termina o diálogo dizendo: “Santíssimo Padre, é melhor que eu continue sendo o pobre Dom Bosco”. Conclui Dom Bosco.
Na verdade, queridos irmãos e irmãs, o Evangelho falou tão alto na vida de Dom Bosco, foi a medida de todos os seus critérios. Não cedeu à tentação da grandeza. Como não amar? Como não louvar Dom Bosco neste dia?
Caríssimos, meus irmãos salesianos, no discurso final do Capítulo Geral 29, mais ou menos há um ano, o nosso novo Reitor-Mor, sucessor de Dom Bosco, o 11º, alertava todos os irmãos dizendo que, muitas vezes, o risco é nos satisfazermos com um conhecimento superficial de Dom Bosco, que não se conecta com os desafios de hoje.
Com o conhecimento superficial de Dom Bosco somos pobres, diz o Reitor-Mor, daquela bagagem carismática que nos torna autênticos filhos de Dom Bosco. Sem conhecer Dom Bosco profundamente, não podemos e não chegamos a encarná-lo nas culturas onde estamos, nas diversas realidades e comunidades de nossas inspetorias.
Se não conhecermos Dom Bosco e não o estudarmos, não poderemos compreender a dinâmica de suas lutas, o seu profundo itinerário espiritual e, consequentemente, as raízes de suas grandes opções pastorais. Nós o amaremos apenas de modo superficial, sem a verdadeira capacidade de imitá-lo como homem, concluiu o Reitor-Mor, profundamente santo.
Irmãos e irmãs, justamente por conta desse testemunho de santidade para toda a Igreja, aqui estamos. Não viemos de nossas comunidades, de nossas casas, para aplaudir os irmãos que se autoproclamam religiosos, radicais, seguidores. O rito é eloquente.
Acompanharemos, daqui a pouco, o gesto da prostração, que dirá a todos nós da nulidade, da pequenez, da fragilidade de todos nós, servidores do Evangelho. A prostração, irmãos e irmãs, é vulnerabilidade corpórea, é entrega das próprias seguranças a Deus, é a máxima súplica acompanhada pelos santos e santas, beatos e beatas.
É a profissão da nossa fidelidade a Deus e a dinâmica de uma entrega que se faz hoje para sempre. A oração de consagração dos neoprofessos perpétuos vai invocar a obediência generosa, a pobreza alegre, a caridade radiante, o coração aberto, o serviço cordial, a paciência na provação, a alegria da segunda leitura, a audácia na esperança, a simplicidade generosa e o ardor apostólico, onde Deus nos quiser levar.
Caríssimos irmãos, enxergamos em São João Bosco um exemplo. Nele admiramos as qualidades evangélicas, a humildade laboriosa, porque provada, exigida e empenhada em cada uma de suas decisões.
“Pratiquemos o que aprendemos”, dizia a segunda leitura. Apresentemos nossas necessidades a Deus. Ocupemo-nos do bem, irmãos, não da grandeza. E Ele, Pastor supremo e eterno, se ocupará das pobres ovelhas de seu rebanho, como cantamos, que somos todos nós.
Que Ele nos liberte, como cantamos no salmo, do ardiloso poder da prepotência em nós e nos conceda uma humildade serena. Por isso, invocamos Dom Bosco, para que nos ajude na perseverança da vocação destes irmãos e de todos nós como discípulos e missionários.
No ano passado, recordei que, no último momento de Dom Bosco, moribundo, poucos instantes antes da morte, uma das frases que ele disse foi: “Façamos o bem a todos, o mal a ninguém. Digam aos meus jovens que eu os espero no paraíso”.
Que o Santo dos jovens nos ajude e que nós, a partir deste altar, onde a esperança nos alcança, onde nos enxergamos já glorificados numa participação que só a liturgia pode nos conceder, imitemos a humildade de nosso Senhor, que mais uma vez se faz pequeno pão a nos saciar.
Façamos o bem a todos, o mal a ninguém. Digam aos meus jovens que eu os espero no paraíso. Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado.
Confira abaixo a transmissão do evento, realizada pelo Canal Salesianos Nordeste:
