INSPETORIA | A Homilia de Dom Magnus Henrique Lopes, OFMCap, na despedida do Pe. Ferreirinha
INSPETORIA | A Homilia de Dom Magnus Henrique Lopes, OFMCap, na despedida do Pe. Ferreirinha
5 de outubro de 2026 Por pauloConfira a Homilia de Dom Magnus Henrique Lopes, OFMCap, Bispo Diocesano do Crato, durante a durante a Santa Missa em sufrágio da alma do Pe. Ferreirinha:
Querido irmão Padre Inácio, na sua pessoa abraço todos os filhos de Dom Bosco. Nossa gratidão, momento marcado pela saudade, mas também iluminado pela fé na ressurreição daquele servo bom e fiel. Meu abraço a todos os salesianos, queridos irmãos de hábito frades capuchinhos, querido filho Padre Paulo, queridas irmãs religiosas, querida irmã do Padre Ferreirinha, irmã Josefa, uma saudação toda especial, uma saudação de agradecimento como Igreja por nos ter dado este homem que chegou a esta terra tão cedo.
O Evangelho que nós acabamos de ouvir nos diz: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas”. Hoje, estamos aqui com o coração cheio de saudade, e isto é profundamente humano. Quando alguém que amamos parte, fica o silêncio, a ausência, fica o vazio que nós não conseguimos explicar facilmente. Fica a saudade, fica uma pergunta, vem o choro. Mas chorar não é falta de fé. Chorar é um sentimento belo de saudade, o sentimento de quem tem o coração pulsando. Pois Jesus assim chorou diante da morte do seu amigo Lázaro. Por isso, a fé não nos impede de chorar; a fé nos ajuda a não perder a esperança. Ela nos faz compreender que a morte não é a última palavra. É justamente neste momento que Jesus diz: “Não se perturbe o vosso coração”. Ele não nos pede que não choremos ou que não soframos; ele nos pede que possamos continuar confiando: “Credes em Deus, crede também em mim”. Esta é uma palavra alentadora que embala o nosso coração, que nos sustenta naqueles momentos mais difíceis. E que no momento da morte tantas vezes nos perguntamos: “E quando chegar o dia da minha partida?”. Há pouco tempo, eu falava com o Padre Ataíde como é belo olhar para a igreja e sentir a presença e a gratidão do povo que veio celebrar, que veio rezar, que veio fazer este caminho de fé por um homem de 98 anos que consumiu sua vida sendo o caminho de amor e de misericórdia, que celebrou tantas vezes a Eucaristia.
Queridos irmãos e irmãs, é com esta fé que hoje nós entregamos ao Senhor a vida do nosso querido Padre Ferreirinha.
Como eu disse, foram 98 anos de uma longa história marcada, sobretudo, pela simplicidade — repito, marcada sobretudo pela simplicidade.
E, talvez, justamente aí está a beleza de sua vida, do seu sacerdócio; aí está a chave da eternidade, a chave do homem justo.
Padre Ferreirinha não precisou realizar coisas extraordinárias para fazer o bem. Ele soube fazer do ordinário de cada dia o lugar do encontro com Deus através de cada irmão. Quantas horas passou no confessionário ouvindo pecados, dores, quedas, histórias diversas. Quantas pessoas encontraram nele uma palavra de misericórdia, um conselho, uma esperança, um olhar acolhedor e um olhar que também sabia corrigir, que sabia apontar o caminho. Quantas vezes Padre Ferreirinha percorreu as ruas recolhendo materiais recicláveis para ajudar o pobre; quanto carinho pelos pobres, pelas crianças, pelas pequenos, pelos mais simples. Eis aí o espírito de Dom Bosco. Eis aí aquilo que foi semeado no seu coração: sem discurso eloquente, na proximidade, no cuidado, na sensibilidade, na bondade, foi entregando a sua vida e acolhendo os pobres.
Talvez seja esta a bela imagem de sua vida: recolhia aquilo que muitos julgavam sem valor e transformava em ajuda para os pobres. E não é isto que Deus também faz conosco? Não foi isto que o Padre Ferreirinha fez no confessionário? Acolheu tudo aquilo que não prestava, acolheu todos os corações despedaçados pelo pecado, renovou pela misericórdia de Deus, apontou Jesus Cristo como caminho, verdade e vida. E, assim, aqueles que saíam do confessionário saíam renovados. Padre Ferreirinha, como filho de Dom Bosco, carregou consigo esta espiritualidade feita da simplicidade, de um olhar grandioso para com os pequeninos, a alegria e a proximidade. E ainda uma delicadeza de Deus na despedida do Padre Ferreirinha: quando a irmã Morte veio visitá-lo, a Igreja celebrava a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus. E, ontem, veio uma postagem do Padre Ferreirinha na capela de Santa Teresinha, já com o andar cansado, mas o coração livre, feliz, alegre. No dia de Santa Teresinha, a irmã Morte visitou o Padre Ferreirinha — a pequena grande santa que nos recorda que a santidade não está necessariamente nas grandes obras, mas no amor com que realizamos as pequenas coisas; repito, no amor com que realizamos as pequenas coisas.
Como foi fácil para o seu coração sair pelas ruas catando o lixo que muitos jogavam para transformar aquilo que aos olhos humanos não servia para nada para conseguir uma pequena moeda para ajudar a quem precisava. Talvez isto também nos ajude a compreender a vida do Padre Ferreirinha: uma criança acolhida, uma confissão ouvida, um pobre ajudado, uma palavra de esperança, um gesto de carinho, uma presença silenciosa. Ele passou grande parte da sua vida preparando lugar para os outros — repito, passou grande parte da sua vida preparando o lugar para os outros: lugar para o pecador encontrar misericórdia, para o pobre encontrar ajuda, para a criança encontrar acolhida, para aquele que sofria encontrar uma palavra de esperança, um alívio. Agora nós o entregamos Àquele que também prometeu preparar um lugar para todos nós.
Talvez, a melhor homenagem que possamos prestar ao Padre Ferreirinha seja pensar um pouco como está a nossa vida. Pois na primeira leitura nós ouvimos que a vida do justo está nas mãos de Deus. Saiamos daqui pensando, refletindo, todos nós; bispos, padres, religiosos, religiosas, leigos. Se a nossa vida está nas mãos de Deus. E, quem sabe, na linguagem simples e bonita da fé, possamos imaginar que o som de sua sanfona embale a sua chegada no céu, que o som de sua sanfona esteja agora embalando a sua chegada na casa do Pai. E que, acima de tudo, ele escute a voz de Deus dizendo: “Vem, servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor”.
Queridos irmãos e irmãs, que Nossa Senhora Auxiliadora acolha este servo bom e fiel que buscou fazer do seu ministério um caminho de vida plena para todos. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado e amado.
Por Serviço Inspetorial de Comunicação Social
