Uma chama de luz e esperança
Uma chama de luz e esperança
25 de fevereiro de 2026 Por paulo(Imagem: Vatican News)
Pe. João Carlos Ribeiro, SDB
Foi uma fase difícil da vida de Dom Bosco. Ele se encontrava idoso e alquebrado de tantos trabalhos e preocupações com as suas muitas obras em favor dos meninos pobres e a organização e formação dos seus salesianos, uma jovem congregação. Neste momento, em que se empenhava na consolidação de sua obra, em 05 de abril de 1880, o Papa Pio IX lhe fez um pedido.
O Papa queria muito uma igreja num local de boa movimentação na cidade de Roma. A obra estava paralisada. Dom Bosco era um nome conhecido e respeitado, com certeza, pensou Pio IX, atrairia doações para a construção. Então, pediu esse favor a Dom Bosco: “Meu caro Dom Bosco, mesmo sabendo de suas múltiplas ocupações, quero lhe pedir esse favor: assuma a construção da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Dinheiro, digo-lhe logo, não tenho. Mas, sei o que o senhor vai conseguir”.
Foi uma prova para Dom Bosco. Uma prova do seu amor à Igreja, de seu devotamento à pessoa do Papa. Ele que ensinava aos seus salesianos a manterem-se fiéis ao pontífice romano e aos bispos da Igreja, não poderia fazer menos. Dedicou-se, mesmo com o sacrifício de sua saúde frágil, à construção da Igreja que o papa lhe encomendara. Viajou céus e terra, por assim dizer, à procura de doações: França, Espanha e boa parte da Itália. Afinal, a Igreja ficou pronta sete anos depois (1887) e, ao seu lado, edificada uma obra salesiana a serviço dos jovens.
Estou lhes contando essa história, porque o Papa Leão XIV acabou de fazer uma vista pastoral a esta Igreja, ou melhor, à Paróquia Basílica do Sagrado Coração de Jesus. Hoje, a igreja que Dom Bosco construiu é uma lida basílica, ao lado da Estação Términi.
A Basílica faz parte do complexo da Casa Geral da Congregação Salesiana, onde residem o superior geral (que nós chamamos Reitor Mor) e o conselho geral. Ela está construída em uma das áreas mais movimentadas da cidade. Por ali circulam mais de 500 mil pessoas por dia (está bem ao lado do grande terminal de ônibus, metrô e trem que é a Estação Términi).
Em sua visita, domingo passado, o Papa foi recebido por crianças e jovens no pátio do antigo colégio; presidiu a Missa na Basílica lotada de fiéis; e encontrou-se, depois, com os salesianos e também com o conselho pastoral da paróquia. Foi bonito ouvi-lo dizer que o conselho pastoral da paróquia é a forma de ser uma igreja sinodal.
A Basílica e a Obra Salesiana ao seu lado guardam belas recordações de Dom Bosco. Uma delas é a Cameretta, que o Papa visitou. É o alojamento onde Dom Bosco ficou em sua 20ª viagem a Roma para resolver os assuntos da construção da Igreja. Outro local de referência é o altar do pranto, o altar de N. Sra. Auxiliadora na Basílica, onde Dom Bosco celebrou uma Missa em que emocionado, parou várias vezes chorando. Era o dia 14 de maio de 1887, lembrando que o seu falecimento foi em janeiro de 1888. Foi o dia em que ele entendeu o sonho dos nove anos: Maria o guiaria, como mestra, na grande obra educativa e evangelizadora, pela qual lobos se transformariam em cordeiros.
O Papa elogiou o trabalho salesiano da Paróquia, particularmente na atenção de imigrantes e população em situação de rua e no acolhimento da grande população que circula na área. E pediu que a paróquia continue a ser uma chama acesa do evangelho naquele território com tantos desafios. Como ele disse: “uma pequena chama de luz e esperança”.
