ORDENAÇÃO DIACONAL | O discurso de agradecimento do Diácono Fabrício Lima Souza
ORDENAÇÃO DIACONAL | O discurso de agradecimento do Diácono Fabrício Lima Souza
31 de julho de 2025 Por pauloConfira a seguir o discurso de agradecimento do Diácono Fabrício Lima Souza, ordenado nesta última quarta-feira, na Colônia Salesiana São Sebastião (Jaboatão dos Guararapes), pelo Ex.mº e Rev.mº Sr. Dom Jailton de Oliveira Lino, Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência, Bispo da Diocese de Itabuna-BA; concelebrada pelo Pe. Inspetor, Francisco Inácio e Salesianos do Nordeste:
A partir dos Santos Evangelhos, Nosso Senhor Jesus Cristo não se declara como sacerdote, mas afirma, sim, que se encontra entre os discípulos como Diácono: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve”. Servir o povo de Deus é a base de todo ministério ordenado (Bispos, Padres e Diáconos). Da parte de Deus, descobrimos a sua vontade; pertence a Ele a eleição e a consagração. Da nossa parte, compete tão somente aquela singela disponibilidade, isto é, o “Eis- me aqui!”, que Maria Santíssima e os Santos Apóstolos souberam, com modéstia e confiança, realizar. Uma disponibilidade enraizada não na perfeição, não nos conhecimentos mais eruditos e universitários, não nas próprias forças, dons e capacidades, mas, sim, naquela disponibilidade presente tão somente nos corações simples e humildes de quem se sente amado, chamado, eleito e consagrado para servir a Deus, na sua Igreja, oferecendo a Ele a própria vida e fazendo-se dom aos seus irmãos.
Encontrar Deus é a meta de todos os cristãos, para se poder estar e permanecer na sua presença. Encontrá-lo para Lhe dizer “Eis-me aqui”, para Lhe dizer “obrigado”, para estabelecer com Ele uma relação de amor e conhecimento. Pois amar a Deus implica conhecê-l’O; amá-l’O implica amar as suas ovelhas, e amar as suas ovelhas traduz-se no serviço generoso. Este é o caminho para O conhecer. Estar no meio dos outros para servir é o movimento divino e é, ao mesmo tempo, o movimento que nos diviniza.
Do retiro espiritual realizado no Mosteiro Beneditino, em Garanhuns, em preparação para a Ordenação Diaconal, conduzido pelo Prior Dom Anselmo — a quem agradeço publicamente por todo o bem e acolhimento dispensados em meu favor — três reflexões marcaram-me profundamente:
A primeira é que tudo muda: o mundo muda, a nossa vida muda, mudamos de país, mudamos de Inspetoria; tudo mudará. Mas a única coisa que permanece é a fidelidade de Deus e a confiança que Ele deposita naqueles que chama para servir à sua Igreja. Esquecer essa primazia nos conduz à perda do sentido da nossa vocação, leva-nos a cair no vazio, esvazia-se o sentido de servir e transforma-nos, não em lavadores de pés, mas, sim, em profissionais do sagrado.
A segunda é que a beleza da vocação consiste em caminhar juntos, com os irmãos que nos ajudam a sentir e a amadurecer em nós o dom de Deus! Uma vocação é a constatação de que a face da comunidade fraterna vai delineando-se como composição harmoniosa dos traços que trazemos dentro de nós, gerando, definitivamente, o rosto da Igreja, esposa de Cristo, semelhante a Ele no esplendor da santidade.
A terceira é que não se pode ser servo sem ser pobre. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” Ser pobre não está restrito a ter ou deixar de ter bens materiais, mas, sim, na capacidade de colocar Deus no centro da nossa vida e fazer d’Ele a nossa maior riqueza, o nosso bem mais precioso. E, nisto, é exemplar a Virgem Maria, a verdadeira pobre e servidora, que nunca tomou a si mesma por propriedade, nem jamais reteve algo para si. Ela foi todo dom para nos oferecer o Dom do Pai: Nosso Senhor Jesus Cristo, que agora vive em nós e deseja ser também, em nós, puro vínculo de amor na relação com o Pai e puro vínculo de serviço na relação com os irmãos. É preciso que aceitemos nos transfigurar neste lugar de gratuidade, e conheçamos a bem-aventurança da verdadeira pobreza evangélica, que nos transforma em Cristo Servo.
A graça que hoje recebi foi aquela de ser ministro da caridade e do serviço. Graça derramada gratuitamente sobre mim, e que passa a ser a minha maior riqueza; graça que não me pertence, mas é puro dom de Deus. Por isso, não fui ordenado para ser um “quase padre”, um “meio padre” ou um “acólito de luxo”, mas, sim, para que o rosto de Deus possa se tornar visível em mim, no serviço da misericórdia, segundo o critério do juízo final do Evangelho de Mateus: “Tive fome, sede, estive nu, estive preso… e deste-me de comer, de beber, de vestir e visitaste-me”. É no serviço da diaconia que o povo de Deus enxerga o rosto de Cristo, que veio para servir e não para ser servido.
Com o coração profundamente comovido pela bondade de Deus e pelo dom do chamado ao ministério ordenado, elevo minha ação de graças por tudo o que vivi na celebração da minha Ordenação Diaconal.
A Deus, que me chamou a segui-Lo mais de perto no serviço da caridade, da Palavra e da Liturgia, toda a honra e glória. A cada pessoa que se uniu a mim, seja presencialmente, seja em oração, deixo o meu “obrigado” mais sincero, cheio de ternura e reconhecimento.
Aos meus familiares e amigos — minha mãe, avó, irmã e sobrinho — que me sustentaram desde os primeiros passos na fé e na vocação, e que, com amor e sacrifício, sempre acreditaram no sonho de Deus para minha vida, meu mais profundo reconhecimento. Sem vocês, este momento não teria a mesma beleza nem o mesmo sentido.
Muito obrigado, Dom Jailton, por ter acolhido o convite e, hoje, presidir a minha ordenação diaconal.
O senhor, que foi Pastor da minha Diocese de origem — Teixeira de Freitas– Caravelas (BA) —, a mesma Diocese que me gerou na fé, representa para mim um sinal da providência de Deus. Ao longo dos oito anos de serviço e dedicação àquela porção do povo de Deus, o senhor deixou como legado mais de vinte padres ordenados. Esse testemunho de zelo pastoral e amor à Igreja marcou profundamente minha caminhada vocacional. Hoje, ao receber o dom do Diaconado pelas suas mãos, percebo como Deus conduz a história com delicadeza e sabedoria. É com o coração cheio de gratidão que reconheço, neste gesto, não apenas um sinal da comunhão com a minha Diocese de origem, mas também a confirmação do chamado que um dia ali floresceu.
Ao Pe. Gabriel, Conselheiro Regional da América Cone-Sul, minha profunda gratidão por sua presença neste dia tão significativo. Sua vinda alegra imensamente o meu coração, pois representa não apenas a comunhão fraterna que ultrapassa os limites da nossa Inspetoria Salesiana do Nordeste, mas também um sinal concreto do cuidado e da proximidade da Congregação. Pe. Gabriel, sua presença é, para mim, memória viva dos momentos de escuta, diálogo, discernimento e apoio. Foi através de suas palavras e gestos que encontrei luz para enxergar, coragem para aceitar e força para perseverar na vontade de Deus para a minha vida. Receba minha sincera gratidão.
De modo especial, agradeço à Inspetoria Salesiana São Luiz Gonzaga, minha casa e minha família em Cristo. Na pessoa do Inspetor, Pe. Francisco Inácio, e de seu Conselho, agradeço-lhes pelo acolhimento, pela confiança, pelo testemunho e pelas relações de sincera amizade fraterna, estendo os mesmos sentimentos a cada um dos irmãos aqui presente. Recordo e agradeço a minha Inspetoria de origem, Inspetoria Salesiana Santo António de Lisboa (Portugal), por toda a formação, cuidado e acompanhamento. Aos meus irmãos salesianos — quer deste lado, quer do outro lado do Atlântico — que comigo caminharam e caminham na alegria de servir os jovens segundo o carisma de Dom Bosco, muito obrigado por serem sinal concreto da paternidade de Deus e da fraternidade evangélica.
O Papa Leão XIV há meses dizia que a polifonia romana para além das riquezas musicais, que são preciosos tesouros deixados à Igreja, é, sem dúvidas um grande patrimônio de arte e espiritualidade que continua a ser um ponto de referência à liturgia, pois através da música os fiéis podem participar ativa, consciente e piedosamente, através da harmonia de variadas vozes que nos envolve integralmente vozes, mente e coração. Por vezes, se confunde participação ativa com um ativismo litúrgico, ao com um populismo que não conduz e não é provido do espírito da liturgia, correndo o risco de confundir a liturgia com um conjunto de coisas a serem feitas para o culto, o mais importante não é fazer o culto é tornar-se o culto celebrado. Portanto, minha gratidão os alunos e amigo docente do Seminário Arquidiocesano de Maceió, com quem compartilho o cotidiano da missão educativa e formativa dos futuros pastores de alma. Obrigado por me ajudarem a crescer no serviço e na escuta, por serem presença de Deus no caminho e por celebrarem comigo esta etapa tão importante da minha consagração. Sem estes estimados seminaristas, sem as vozes femininas do Coro da Catedral de Maceió, sem os músicos de Matriz de Camaragibe, sem a orquestração de Maxuel e sem a regência do Prof. Diego Lima, o esplendor da música litúrgica certamente não teria sido o mesmo, e nossas almas, por certo, teriam mais dificuldade para se elevar e encontrar-se com Deus. Faço menção também ao Maestro José Rubens, da Filarmônica Senhor Bom Jesus, pela disponibilidade, pela colaboração, por colocar à disposição os instrumentos hoje utilizados nesta celebração, e por todo o bem que realiza em favor da juventude de Matriz de Camaragibe, no Estado de Alagoas.
A todos os que se dedicaram aos múltiplos serviços litúrgicos — meus irmãos salesianos, sob a orientação do Mestre Geral de Cerimônias, Pe. Ivan —, os serviços técnicos (Pe. João Carlos e a AMA), os serviços gráficos e organizativos desta celebração, visíveis ou silenciosos, conhecidos ou anônimos: que Deus mesmo vos recompense com sua graça e paz.
Quero expressar minha sincera gratidão pela significativa representação da Paróquia Senhor Bom Jesus e do Centro Juvenil Dom Bosco presente neste dia tão marcante da minha ordenação diaconal. A presença de vocês aqui me alegra profundamente e traduz o carinho, a fé partilhada e os vínculos construídos ao longo do caminho. Sinto-me fortalecido por saber que trago comigo não apenas a história, mas também as orações, o apoio e a esperança de tantas pessoas que me acompanharam de perto.
Agradeço, de coração, a todo o povo de Deus — aqueles que vieram de longe, os que me acompanharam em oração e os que, de diversas formas, contribuíram para que este momento fosse possível. Continuem rezando por mim, para que eu seja sempre fiel ao chamado que hoje acolho com alegria. Por fim, mas não menos importante, agradeço a minha Comunidade Salesiana, ao Pe. Diego pela radicalidade com que vive e transmite o Evangelho, e ao Pe. Luan pela alegria de viver a vocação e o carisma salesiano.
Que Dom Bosco e Maria, Auxílio dos Cristãos, vos abençoem e intercedam pelas necessidades e intenções que cada um de vós traz em seu coração. Muito obrigado.
Diácono Fabrício Lima Souza
Imagem: Sacerdos Foto
