AMA | Semana da Espiritualidade Salesiana marca os 30 anos da AMA com cinco dias de reflexão sobre Dom Bosco
AMA | Semana da Espiritualidade Salesiana marca os 30 anos da AMA com cinco dias de reflexão sobre Dom Bosco
Comunicação 14 de agosto de 2026 Por pauloAuditório da Associação Missionária Amanhecer recebeu palestras, momentos de oração e adoração eucarística entre os dias 10 e 14 de agosto
Tem gente que conta a história de Dom Bosco como quem recita datas de um calendário. E tem quem a conte como quem reabre uma carta antiga, dessas que ainda guardam o calor de quem escreveu. Foi nesse segundo tom que a Semana da Espiritualidade Salesiana aconteceu, entre os dias 10 e 14 de agosto, no auditório da Associação Missionária Amanhecer (AMA), em mais uma das atividades que compõem o calendário de celebração dos 30 anos da entidade, que tem como missão “evangelizar pelos meios de comunicação social”.
Cinco dias, cinco palestrantes, um só fio condutor: entender o que faz da pedagogia de um padre italiano do século XIX algo que ainda hoje molda casas, escolas e corações mundo afora. A programação uniu palestras, momentos de oração, adoração eucarística, dinâmicas, apresentações culturais e um encontro emocionante com integrantes da primeira geração da AMA — gente que ajudou a plantar, há três décadas, a semente que hoje é floresta.
O sonho que virou caminho
Abriu os trabalhos a irmã Natália Gomes, FMA, que preferiu não começar pelo fim, mas pelo começo: o menino nascido em 16 de agosto de 1815, numa família simples de camponeses, que perdeu o pai aos dois anos e encontrou em Mamãe Margarida o colo que formaria sua alma. A irmã Natália conduziu a plateia por cinco passos da vida de João Bosco: a infância marcada pelo sonho profético dos nove anos, quando meninos violentos se transformavam não pela força, mas pelo amor; a juventude no Seminário de Chieri, tempo de estudo e discernimento até a ordenação, em 1841; o sacerdócio dedicado inteiramente aos jovens, sintetizado naquela frase que atravessa gerações — “por vós estudo, por vós trabalho, por vós estou disposto a dar a vida”; a confiança inabalável na Providência, ilustrada pela construção da Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, erguida sem recursos e sustentada pela fé; e, por fim, o legado: a fundação dos Salesianos, das Filhas de Maria Auxiliadora, ao lado de Madre Mazzarello, e da própria Família Salesiana, que se ampliaria muito além dos muros de um oratório em Turim.
Fé que cabe na louça suja
No segundo dia, foi a vez do Padre Marcelo Manoel, SDB puxar o fio da espiritualidade salesiana — e ele fez questão de desmontar um mito antes mesmo de começar: não é preciso estar de joelhos o dia inteiro para estar perto de Deus. A santidade que Dom Bosco propôs cabe no trabalho, no estudo, cabe até em lavar a louça. Bastam pequenas jaculatórias para manter o pensamento onde importa.
O padre desenhou os pilares dessa espiritualidade: centrada em Cristo Bom Pastor, ancorada em Nossa Senhora Auxiliadora — a quem Dom Bosco atribuía a verdadeira fundação de sua obra —, vivida em espírito de família dentro da Igreja, e marcada por uma alegria que não é fachada, mas paz que resiste mesmo quando a vida dói. Falou também do Sistema Preventivo, sustentado em razão, religião e afeto, e de uma pedagogia da presença que nenhuma tela substitui. Terminou com um detalhe que ficou na memória de quem ouviu: Madre Mazzarello via, em cada ponto de sua costura, um gesto de amor a Deus.
Educação que nasce do coração
O terceiro dia trouxe o Padre ArlanBraga, SDB, para falar de pedagogia — mas não qualquer pedagogia. Uma que trata educar como caminhar ao lado do outro, respeitando seu nome, sua história, sua dor. “A educação é coisa do coração”, repetiu, lembrando que formar alguém vai muito além de encher a cabeça de conteúdo: é ajudar a pessoa a se tornar plenamente humana.
Ele voltou aos mesmos três pilares — razão, religião, amorevolezza — para mostrar como Dom Bosco construiu um método em que o jovem não apenas é amado, mas sabe que é amado. E descreveu a obra salesiana como um ecossistema com quatro funções: casa que acolhe, escola que prepara, paróquia que evangeliza, pátio que aproxima. Ao falar do presente, o padre não fugiu do tema mais espinhoso da atualidade: a inteligência artificial. Reconheceu sua importância, mas foi categórico ao afirmar que nenhuma tecnologia substitui um almoço em família, um olho no olho, uma memória construída junto.
Uma floresta de trezentos mil rostos
Encerrando a semana, o Padre Cleiton trouxe números que impressionam: a obra de Dom Bosco, hoje, é uma floresta espalhada por 136 países, reunindo 30 grupos diferentes e cerca de meio milhão de pessoas movidas pelo mesmo espírito — dos Salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora aos Cooperadores leigos, passando até pela Canção Nova, fundada pelo Padre Jonas Abib.
Mas o padre fez questão de tirar a espiritualidade salesiana de qualquer pedestal inacessível: ela não tem esquisitice, disse, ela mora no encontro, no sorriso, no sofrimento dividido. Falou da crença inabalável de Dom Bosco de que todo jovem, por mais difícil que pareça, carrega dentro de si “uma veia que pulsa para o bem” — e que o papel de quem educa é simplesmente encontrar essa veia e não desistir dela, como fazia Mamãe Margarida, que acolhia a todos mesmo diante da ingratidão.
O momento mais pessoal da semana veio quando o Padre Cleiton contou sua própria história: aos 12 anos, assistindo ao filme “Dom Bosco: A Força de um Sonho”, sentiu nascer ali sua vocação. Um lembrete de que, por trás de toda essa arquitetura de conceitos e pilares, existe sempre uma vida real que se deixou tocar por outra história.
O que vem pela frente
A Semana da Salesianidade foi só um capítulo dentro de um ano especial para a AMA. No dia 19 de agosto, às 9h, a instituição celebra Missa em Ação de Graças pelos 30 anos, reunindo missionários, colaboradores, benfeitores e parceiros, com transmissão pela Rede Vida para todo o país. No dia 26 de agosto, às 20h, uma live reunirá sócios e benfeitores para partilhar testemunhos e recordações. As festividades seguem com uma peregrinação a Arcoverde, em novembro, e se encerram com um show comemorativo no Teatro Boa Vista.
Fundada em 1995, a AMA nasceu para fortalecer, pelos meios de comunicação, a ação evangelizadora da Congregação Salesiana. Trinta anos depois, segue fiel ao mesmo propósito: comunicar o Evangelho, promover encontros e manter viva, dia após dia, a missão de educar e evangelizar que começou com o sonho de um menino de nove anos.
Por Wilson Firmo




