CAUSOS | As boas de Paulo Dias

CAUSOS | As boas de Paulo Dias
16 de março de 2021 Por pauloAs boas de Paulo Dias (salesiano no final da década de 60)
DESOBEDIÊNCIA
Fazia eu noviciado em Jaboatão nos idos de 1969 e o Pe. Antonio José de Carvalho era meu mestre de noviço. Um belo dia ele me perguntou que livro eu estava lendo e eu lhe respondi que nem um especificamente. Então, ele me emprestou um livro do Pe. João Mohana intitulado “A vida sexual dos solteiros e casados”, com a recomendação de que eu só lesse a primeira parte, ou seja, apenas a que se referia aos solteiros. Peguei o livro com extrema ansiedade e o li no mesmo dia. Você quer saber por qual parte eu comecei? Exatamente. A curiosidade foi tanta, que comecei a ler o livro pela parte proibida: a segunda parte.
ARREPENDIMENTO
Ainda hoje eu me arrependo de não ter me aproximado mais daqueles professores dotados de invejável cultura e experiência pessoal. O problema era que devido á minha timidez, eu achava que se o fizesse, estaria sendo inconveniente. Assim mesmo, após o jantar, caminhei muitas vezes com D. Lustosa, ouvindo e aprendendo dele muitas lições de vida e estórias interessantes.
GENTILEZA
Estávamos certa vez no grande corredor, na fila formada para o almoço, esperando para entrar no refeitório. Para implicar com o colega que estava à minha frente, eu o chutava de leve no calcanhar, na certeza que ninguém estava vendo e que ele, por sua vez, não poderia reclamar, porque estávamos todos em silencio.
Nisso, o Pe. Benevides, que vinha passando atrás de mim e eu não o havia visto, cochichou no meu ouvido: “Como você é gentil” e continuou indo para o refeitório. Quase morro de vergonha.
O CÓDIGO DA PATENA
Como não tínhamos como nos comunicar com as moças que assistiam a missa aos domingos na nossa capela, inventei um código secreto para as que me chamavam mais a atenção, a fim de olhassem para mim: quando eu era escalado para ajudar na missa, ao chegar a hora da comunhão, passava discretamente a patena no pescoço das donzelas mais exuberantes. Normalmente conseguia o meu intento. Só que um belo dia alguém percebeu e me chamou a atenção.
MEDO DE CEMITÉRIO
No dia 02 de Novembro todos os aspirantes eram obrigados a fazerem visita ao cemitério da cidade. Como eu tinha medo de alma e de cemitério, falei com o meu assistente, expliquei o meu problema e pedi que me dispensasse daquele tipo de visita. Não consegui a minha liberação. Como não tinha outra opção, apliquei o “plano B”: tranquei-me no banheiro, esperei que todos saíssem e assim me livrei do lúgubre passeio.
Paulo Dias – Do livro: Ação Fraterna Salesiana: 25 anos


