COOPERADORES | Joaquim Izidro e o amor pelo Oratório

COOPERADORES | Joaquim Izidro e o amor pelo Oratório
11 de junho de 2021 Por pauloNesta sexta-feira, ocorre o aniversário de 20 anos da Páscoa de Joaquim Izidro, o cooperador salesiano de coração oratoriano.
Salesiano Cooperador – Joaquim Izidro do Nascimento (1942 – 2001) – da cidade de Juazeiro do Norte tem sua vida contada em livro, escrito pelo Prof. Luiz Moura e o Pe. José Pereira. O objetivo do livro é contar para as futuras gerações a vida marcada por uma profunda religiosidade cristã e salesiana de um leigo casado, uma vida dedicada ao carisma primeiro das obras salesianas, o Oratório.
No livro, o capítulo que trata do ‘Oratório Padre Luiz Cassiano’ nos fornece impressões muito particulares sobre a figura deste Salesiano Cooperador.
ORATÓRIO PADRE LUIZ CASSIANO
A missão salesiana começou com uma aula de catecismo que foi a raiz do oratório. O oratório inspira D. Bosco a reunir jovens e criar a grandiosa obra de evangelização confiada aos salesianos e salesianas, espalhada no mundo inteiro. O oratório nasce do coração de D. Bosco e no coração de cada salesiano e salesiana deve estar.
Na realidade, há hoje salesianos muito envolvidos com os oratórios e outros mais envolvidos com outras formas de presença como paróquias e escolas. Há inspetores, diretores, padres, irmãos, aspirantes ou noviços de coração mais oratoriano e por isso mais voltados para as atividades do oratório e outros menos ou sem nenhum interesse pelos oratórios. Quando o inspetor tem coração oratoriano, há oratório funcionando em todas as presenças. Quando isso não acontece, o oratório só funciona quando na comunidade salesiana há algum salesiano que ame este tipo de atividade. Nem sempre é gratificante trabalhar com oratório; dá trabalho e toma o tempo de descanso ou lazer; é mais gratificante ir a uma praia que cuidar de meninos pobres.
No final da década de 70 e início da década de 80, chega ao nordeste um inspetor vindo da Inspetoria de Porto Alegre; seu nome: Pe. Antônio Possamai. Entre suas propostas de trabalho uma era explícita: o retorno ao oratório; conseguiu, até certo ponto, reavivar na Inspetoria, os oratórios adormecidos e até convocou reuniões inspetoriais com essa finalidade.
Em Juazeiro do Norte, não foi diferente das demais casas da Inspetoria; havia época em que o oratório ia de vento em popa e também época em que os salesianos não se interessavam por ele.
Joaquim Izidro Júnior conta como isso aconteceu em Juazeiro: “na segunda metade da década de oitenta, o oratório já não estava sendo realizado. Seu Joaquim tinha ficado com um certo vazio no peito pela necessidade dessas atividades, uma ausência que impulsionou novas buscas (se não fossem as ausências não existiria buscas). Em 1988, Seu Joaquim acalmou seu coração quando, junto com amigos, fundou o Oratório Pe. Luiz Cassiano (homenagem a um padre salesiano que ele muito admirava), num bairro pobre, conhecido na época como ‘beira da linha’ (próximo ao matadouro antigo). Não precisava tanto para começar o trabalho, apenas uma frondosa mangueira e um campo de futebol, já era muita coisa para quem tinha vontade de sobra. Semanalmente, também aos domingos, após um trabalho de catequese, à sombra do ‘pé de manga’, havia lanche e jogos. Eu, já crescido, o ajudava e aprendia mais…”
Da mesma forma que não foi fácil para D. Bosco iniciar um trabalho assim, imagine para Joaquim. Um oratório no espaço do colégio é uma coisa; um oratório debaixo de uma mangueira é outra coisa; não havia desafio que Joaquim não enfrentasse com fé, esperança e muito amor aos meninos mais pobres.
Como Joaquim conseguiu levar em frente e manter o oratório Pe. Luiz Cassiano? O filho Izidro Júnior continua: “o aumento do número de jovens o fez buscar outros lugares para que o funcionamento fosse possível. Passou assim por várias escolas, sendo muitas vezes convidado a mudar de lugar por conta da agitação do tipo de trabalho (jovens fazem barulho). Escutava sempre dele que isso era normal e citava Dom Bosco como exemplo de vários “despejos” e a persistência que o fez continuar. E o oratório “de Seu Joaquim” continuava…”
O oratório continua e no dia 28 de agosto de 2011 inaugura suas primeiras salas em um terreno doado a alguns anos, também próximo à linha de ferro, um pouco além da primeira localidade. No dia 28 de agosto de 2011, domingo, Joaquim Izidro Júnior afirmou: “Já são 13h45 desse domingo, por essas horas Seu Joaquim almoçava com uma enorme sensação de dever cumprido, a mesma sensação que partilho hoje e percebo o quando podemos ser feliz num domingo…” manifestando também “uma infinita alegria pela dádiva de tê-lo como pai”.
O amigo Lázaro Alves que conhece muito bem o coração oratoriano de Joaquim, e como Joaquim tem o domingo reservado ao oratório, descreve com outros detalhes o oratório Pe. Luiz Cassiano: “Esse oratório parecia muito com o de Valdocco, pois era itinerante. Funcionou, com mais de trezentos meninos, no Colégio Salesiano, depois, na Escola de Menores, que antes era a Escola Agrícola São José, preparação de aspirantes e hoje, entregue ao Estado para formação artesanal. Depois funcionou no Colégio Pelúsio Macedo, passando para o pátio da Escolinha Carinho da mamãe e a sua última atuação em vida, na Escola Municipal Antônio Conserva Feitosa, onde tem, hoje, uma quadra com seu nome, homenagem justa da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte. Essa mudança acontecia, tão somente pela algazarra e travessura dos meninos que, como sempre, são inquietos”.
A mesma sensação é partilhada pelo casal Nayany Joissy de Lima Correia e Johnnathan de Lima Correia, quando afirma: “No início foi uma luta difícil pois, não existia recursos suficientes para se ter uma sede própria, resolveu reunir um grupo pequeno de crianças e os ensinar embaixo de uma mangueira ao lado da linha férrea, no bairro Antônio Vieira. De lá passou por escolas, pela capela de Nossa Senhora Auxiliadora, até chegar ao Colégio Carinho de Mamãe, ambas no mesmo bairro, onde reuniu um grupo maior de crianças e adolescentes que passavam a manhã dos domingos, onde tinham oportunidades de lanchar, brincar e aprender sobre as maravilhas realizadas por Deus; além disso também aprendia a ter respeito por todos e a buscar sempre a Deus”.
O Oratório Pe. Luiz Cassiano ou o oratório de Joaquim era muito mais que isso; era verdadeiramente uma grande família. O oratório era uma extensão de sua família biológica. Lázaro afirma: “mensalmente, fazia reunião com os pais dos oratorianos e para motivar a frequência criava estímulos com prêmios, e no final do ano, fazia a confraternização geral”.
E continua o casal Nayany e Johnnathan: “E assim foram se passando os dias até que em 11 de junho de 2001 faleceu, mas com a certeza do dever cumprido. Ele não teve a oportunidade de ver o Oratório em sua sede, mas sabemos que ele lutou para que isto se realizasse. Depois da sua morte, a luta continuou pelos demais parentes e amigos que catequizavam as crianças. (….) Ele era para todos nós, um conselheiro, um amigo, enfim, um Pai, ao qual tínhamos muito carinho e admiração”.
Moura, Luiz Gomes e Lima Filho, José Pereira. Um Salesiano Cooperador de Coração Oratoriano: Joaquim Izidro do Nascimento, pg. 21 a 24 . Recife, FASA, 2015.
Por Pe. José Pereira Lima Filho e Serviço Inspetorial de Comunicação


