DIÁCONOS | José Wilker França da Silva

DIÁCONOS | José Wilker França da Silva
8 de fevereiro de 2021 Por suporteEu costumo dizer que há um Wilker antes e há um Wilker depois.
NORDESTE HOJE: Em seu caminho vocacional e formativo, quais foram os momentos mais marcantes?
S JOSÉ WILKER: Olha, muitos foram os momentos marcantes ao longo destes 11 anos de formação até o diaconato. Mas eu destacaria duas etapas que são de especial memória, o noviciado e o tirocínio. Eu acredito que o noviciado sempre marca a vida de todo religioso, pois é um ano mais dedicado à oração, ao autoconhecimento e perpassado por uma intensa vida fraterna.
O meu noviciado foi em 2012, em Curitiba. Éramos 23 noviços, todos vinham de realidades de vida e religiosa muito diferentes, a partir daí você pode imaginar a riqueza da diversidade cultural que havia em nossa comunidade. No entanto, ao mesmo tempo que havia esta riqueza era um desafio lidar com tantas diferenças. Foi um ano de muito aprendizado, oração, crescimento humano e conhecimento da congregação salesiana.
A segunda etapa, que marcou muito minha vida, foi o tirocínio. Eu fiz um tirocínio atípico. Além dos próprios desafios que a etapa possui, durante essa fase, eu morei na Itália, na Irlanda e na Bulgária que são países com culturas, religiosidades e idiomas extremamente diversos. Foram os anos mais desafiadores e os melhores da minha formação salesiana, foi de longe a experiência mais rica de toda a minha vida. Eu costumo dizer que há um Wilker antes e há um Wilker depois.
NORDESTE HOJE: No Capítulo Geral 28, a Congregação chegou a delinear o perfil do salesiano de hoje. Você encontra algum dos traços esperados em seu colega Paulo Henrique?
S JOSÉ WILKER: Eu, Paulo, Geraldo e Luan, com exceção dos anos de tirocínio, moramos juntos desde 2011. É interessante porque esses anos de convivência permitem nos conhecer uns aos outros com profundidade, chegamos até a prever como cada um se comportaria diante de determinada circunstância. São vários os traços de salesianidade que cada um possui e que eu poderia destacar aqui. Porém um traço marcante de Paulo é o apostolado entre os meios populares, ele tem uma facilidade em lidar com a religiosidade popular que é sem dúvida uma característica marcante dele.
NORDESTE HOJE: O que você sonha como realização do seu diaconato, neste ano ainda marcado pela pandemia?
S JOSÉ WILKER: O ano de 2020 foi um ano difícil, não só para no campo da saúde e econômico, também no tocante ao serviço pastoral. Tivemos que nos reinventar. Pensar em uma Igreja que não se reúne fisicamente era, para nós agentes pastorais, algo inimaginável.
A participação ativa nas atividades pastorais, nos sacramentos, nas missas e reuniões são realidades indispensáveis da cristã. Sem essas vivências, o cristão está em déficit com a própria fé. E de uma hora para outra, para salvar o bem maior que é a vida, nos encontramos privados de todas essas realidades. Nós tivemos que nos recriar nas atividades pastorais para que mesmo diante do distanciamento social a palavra de Deus continuasse a ser anunciada e chegasse às casas e aos corações das pessoas. Foi um momento de crescimento e aprendizagem para todos nós. Tivemos que repropor e relembrar a missão da Igreja doméstica, que é a família; potencializamos a evangelização dos meios de comunicação e aprendemos a usar coisas que nem sabíamos que existia.
Então… O que eu sonho como salesiano diácono, neste tempo de pandemia? Sonho que as dificuldades ajudem-me a ver e a potencializar os meus dons e qualidades para coloca-los a serviço da missão; que os desafios lançados pela pandemia ajudem-me a ver mais longe e a criar pontes e oportunidades nos locais de obstáculos e que o meu apostolado como salesiano diácono leve esperança e alegria onde houver desespero e luto.
Por Serviço Inspetorial de Comunicação


