INSPETORIA | ARTIGO: ALÉM DA BATINA

INSPETORIA | ARTIGO: ALÉM DA BATINA

2 de outubro de 2026 Por paulo
Por Denilson Rodrigues  Quando pensamos em um padre, talvez a nossa mente vagueie por imagens de batinas, missas e sermões. Mas nesta reportagem, eu te convido a voltar 90 anos no tempo. Essa história é sobre um menino chamado José, que antes de se tornar o Padre Ferreirinha, fugiu, com sua família, de Mata Grande (AL) para Juazeiro do Norte (CE), ameaçado por Lampião. Nascido em 27 de janeiro de 1928, criado em uma família de agricultores, José trabalhou na roça desde os cinco anos de idade. Foi impedido de estudar até os 15 anos, quando ingressou no Colégio Salesiano. Professou seus primeiros votos em 31 de janeiro de 1952 e foi ordenado padre em 8 de dezembro de 1961. Iniciar a formação para se tornar religioso foi um refúgio, sua nova perspectiva, o anseio para “ser alguém na vida”, como dizia seu pai. Pensar a história do menino José é fazer memória de uma época em que a criança era apenas um trabalhador de baixa estatura. É fazer com que não caia no esquecimento o duro passado de nossos avós, que racharam os pés no sol quente, almoçaram feijão com farinha de mandioca e enxergavam a escola como um sonho distante. A vida de José Ferreira é um convite! Nos chama para o que está além da batina, além das rugas. É fazer memória das nossas eternas crianças, eternos sonhadores que têm muita história para contar. O DESTERRO Jumento com carga, pés no chão – essa é a imagem de Nossa Senhora do desterro, título que recorda a fuga da família de Nazaré para o Egito. Jesus, Maria e José, segundo às escrituras, saíram de Belém, em Israel, e foram buscar refúgio no Egito, após Herodes ter mandado matar os meninos de até 1 ano de idade. Daí o desterro – desterrados, sem-terra, perseguidos. Essa cena é lembrada pelo sacerdote mais idoso de Juazeiro do Norte com devoção. Foi de uma forma parecida que ele, o Padre Ferreirinha, 95, e sua família vieram parar em Juazeiro do Norte: perseguidos – não por Herodes, mas pelo Capitão Virgulino Ferreira da Silva, Lampião. Anos 30, Sítio Pedra Redonda, município de Mata Grande, Alagoas. “Hoje esse sítio se chama Promissão, está mais desenvolvido, só que naquela época era só mato e ladeira e a gente morava numa serra”, relembra Ferreira, filho de camponeses, gente da roça. José fora o segundo dos dez filhos de Antônio Ferreira Lima e Maria José da Conceição. Como todo menino que nasceu no campo, gostava de leite de cabra que a mãe ordenhava. “Uma mulher que não teve muito estudo, mas tinha a mão boa pra criar menino, porco, galinha e cabra pra nós beber leite”. O pai era marceneiro, o típico homem brabo da roça, “a gente conversava com mãe, mas com ele não. Ele marcava a tarefa e era pra nós terminarmos no fim do dia, se não levava peia”. Foi nesse medo de levar peia que José, entre cinco e seis anos de idade, se misturava com os trabalhadores da terra. “Não tinha negócio de brincadeira não. A brincadeira era a enxada na mão. Eu no meio dos empregados e Pai olhando de longe. Quando eu virava, ele gritava – Trabalha, menino!”. Bruto igual seu Antônio só o padrinho, Toinho, irmão de dona Conceição. “Eram brutos, mas eram religiosos também, juntavam grupos lá em Alagoas e traziam pra cá, pro Juazeiro, pra visitar o Santo Padre Cícero”. Santo – é como ele sempre se referiu ao patriarca do Nordeste, antes mesmo da Diocese de Crato ter dado permissão aos padres para falarem no nome de Cícero Romão Batista. E, desde aquele tempo, quem era romeiro, sempre considerou o homem como santo. “Eu acho até que o Santo Padre Cícero deve ter puxado as orelhas de meu pai e meu padrinho nessas viagens, porque os dois eram andados no gatilho, no bando de Lampião”. De início, Padre Ferreirinha parecia ter dificuldades de lembrar como essa perseguição do Capitão Virgulino começou, mas depois de esfregar a mão umas três vezes nos olhos e na cabeça, disse que sabia que o padrinho tinha se metido em “uma coisa ruim. Lampião matou um amigo de meu padrinho e aí meu filho, ele quis vingança, armou uma emboscada para matar o capitão Virgulino. Ele mandou um convite para ele, dizendo que queria um encontro. Lampião escolheu quatro cangaceiros dos mais famosos que tinham – era um tal de Cajueiro, Fortaleza e os outros eu não lembro. [...] Meu padrinho chamou mais 6 companheiros, armou essa emboscada e matou quatro cabas de Lampião, mas não matou o capitão porque ele não foi”. Era dezembro de 1935 e a vida em Mata Grande já não era mais segura. Os cangaceiros faziam visitas na casa dos Ferreira, pediam dinheiro e começavam a perseguir também seu Antônio. “Eles não nos faziam mal, queriam 400 contos. Eu sei que disseram a meu Pai que os cangaceiros estiveram lá por casa e que a gente tinha que fugir.” A família saiu de Mata Grande e foi para Triunfo, no Pernambuco, mas Lampião também andava por lá. “A gente continuou viajando, tudo com as coisas em cima do burro e andando a pé”. Chegaram em Juazeiro do Norte em fevereiro de 1936, quase dois anos depois da morte do “Santo” Padre Cícero. ABC COM MACAÚBA A Rua São João, hoje, Alencar Peixoto, serviu de refúgio para a família dos ferreira. “Eu lembro que éramos três filhos, os outros seis só nasceram aqui”. Juazeiro do Norte nessa época estava em constante transformação. A vinda deles foi anterior à inauguração de grandes templos. O Santuário São Francisco das Chagas, dos Franciscanos, foi erguido em 1950 – 15 anos depois da chegada dos ferreira. O menino José só não viu a Igreja dos Salesianos ser construída porque em 1949 já ingressara no Seminário. Tirando os cangaceiros, de início, a vida em Juazeiro do Norte não tinha lá muita diferença da que era levada no Sítio Pedra Redonda. A casa era em Juazeiro, mas o trabalho era no Crato. “Trabalhei no Baixio do Muquém, no Baixio das Palmeiras”, ambos sítios na zona rural cratense. “Naquele tempo, homem não era pra ser doutor não, era pra ser trabalhador da roça”. As mudanças mesmo só começaram a chegar em 1939, quando a escola se tornou realidade. “Eu vinha para o Oratório aqui no Colégio Salesiano. Pai mandava a gente vir para cá aos domingos, para participar da missa e do catecismo. Era engraçado, porque os homens e as mulheres ficavam separados na capela”. O oratório era um espaço de acolhida da juventude, um local que o fundador dos salesianos, Dom Bosco, enxergava como oportunidade de dar educação, oração e trabalho aos jovens da periferia de Turim, na Itália, no século XIX. Quando os salesianos se espalharam pelos continentes, essa tradição foi levada, chegando também a Juazeiro do Norte. Foi em uma dessas idas ao Oratório São João Bosco que “um véi da cabeça branca, chamado seu Batista me puxou do meio da molecada”. Seu Batista era salesiano coadjutor, um leigo consagrado, que não é padre, mas que vive a vida religiosa junto com os sacerdotes salesianos, mais próximo à juventude. Foi esse velho da cabeça branca que indagou o José de 15 anos: Você está na escola? Eu não. Tenho que ir pra roça e meu Pai não quer que a gente vá estudar não. Mas a escola à noite é O Colégio Salesiano São João Bosco nessa época sedia espaço para a Educação de Jovens e Adultos. Durante o dia, estudavam os filhos daqueles que podiam pagar o particular, e à noite, estudavam os jovens mais pobres de Juazeiro, sobretudo aqueles que precisavam trabalhar durante o dia. A ideia de uma escola de “graça” deixou José animado. Mãe, aquele véi da cabeça branca disse que é pra eu ir pra Vou falar com seu Naquela noite, José se escondeu para ouvir a conversa dos pais, caladinho na beira da porta da cozinha. Dona Conceição falou com seu Antônio que, por sua vez, encrespou com a novidade. O que? E eu vou ficar sozinho na roça? – Os dois se calaram. Mas, no outro dia, José convenceu a mãe. Ô mãe! Eu ouvi e olhe, eu não vou deixar o trabalho, mas eu vou pra Dona Conceição fez de tudo pelo menino, comprou a cartilha do ABC, um lápis e uma borracha. “Mãe era analfabeta, mas não era tão rude assim não”, foi pelo esforço dela que o José de quinze anos foi estudar. Em meados dos anos 40, José continuava na roça, mas estudando, sendo alfabetizado pelo Dr. Geraldo Menezes, de quem se tornaria amigo. “Trabalhava o dia todo comendo catolé e chupando macaúba, macaxeira crua com rapadura e feijão frio – dava cada dor de barriga”, relembrou soltando uma gargalhada, o Padre Ferreirinha. “E era todo dia assim, comia debaixo da sombra da macaubeira, com a cartilha na mão, repassando a lição”. QUAL É TUA VOCAÇÃO? – EU NEM SEI O QUE É ISSO! Seu Antônio começou a adoecer em março de 1945 e José teve que passar ainda mais tempo na roça, trabalhando em dobro para substituir o Pai. “Nem vontade de ir para a escola eu tava tendo mais e seu Batista vivia me dizendo que eu devia ser salesiano, mas eu dizia que não ia ser porque pai não ia deixar”. Estava na época em que os agricultores aguardavam pela promessa de chuva do dia de São José, padroeiro do Ceará. Enquanto o José do céu não mandava chuva, o José da terra continuava plantando. Era uma tarde como qualquer outra, o sol rachava o céu, mas no meio do horizonte vinham dois a cavalo. “Era meu pai e um colega. Pai tinha vindo me dizer que seu Batista tinha mandado me chamar”. Deixe isso aí – disse o Pai olhando para a – Vá para casa porque amanhã você vai para o Colégio, seu Batista mandou chamar. Se não for dessa vez, tu não vai mais nunca pra lá. José pegou a enxada, pôs nas costas e saiu. Naquela noite suas irmãs dormiam, mas sua mãe ainda estava acordada “lavando as roupinhas, esperando por mim”. Seu pai lhe passara sermões, reproduzindo um discurso muito comum para aquela época. Tu vai para lá, se tu não servir para ser padre, não precisa mais nem Fique por lá mesmo, chaleirando os padres – “chaleirar é cortar jaca, é como chama babão, bajulador”. Mas naquela mesma noite, seu Antônio parecia ter amansado um pouco mais o coração. Na madrugada da despedida, ele falou diferente. Vá se despedir de sua mãe, tome a bença, dê um abraço e beije a mão. – José o Ali perto ficava a casa de dona Isabel que tinha um monte de cachorro, à noite, ficavam todos soltos. José tinha o rosário no pescoço e um pedaço de pau na mão. “Eu atravessei o escuro que parecia que eu nem ia pisando no chão, ia rezando... Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador. Se a ti me confiou a Piedade Divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine. Amém! Os cachorros nem me viram; meu anjo da guarda me valeu.” Na manhã do dia seguinte, havia dois caminhões esperando por jovens que tinham entre 15 e 17 anos e que iam viajar para Jaboatão dos Guararapes, no Pernambuco, para iniciar a formação salesiana. Alguns alunos viram chegar alguém diferente no meio deles, era o “matuto da roça”. E essa camarada vai? Ei, qual é tua vocação? Vocação? Eu não sei nem o que é isso! – respondeu José. Eu estou lhe perguntando se você vai ser padre ou irmão Nam, seu Batista não me falou que eu ia ser padre não, só me disse que ia ser Os rapazes que desejam se consagrar como Salesianos de Dom Bosco (SDBs) sempre iniciam a formação juntos. Mais à frente, em um certo período nos estudos, eles optam por se tornarem presbíteros (padres) ou irmãos coadjutores (leigos que atuam principalmente no trabalho pastoral). “Eram dois caminhões carregados, a carga alta e nós em cima da carga. Saímos daqui em 6 de março de 1945 e chegamos em Jaboatão três dias depois”. Ele viajou sem saber o que o futuro lhe reservava, sem imaginar que, já nos próximos dias, sua vida seria rodeada por batinas pretas e cantos em latim. Não tinha noção de que passaria mais de 30 anos celebrando com comunidades indígenas. Se ia descobrir o que era essa tal de vocação, José não sabia. Ele sabia que ia tentar. MEMÓRIAS AMAZÔNICAS Antes dos anos 60, os salesianos nas regiões Norte e Nordeste faziam parte da mesma inspetoria – uma organização regional. Em 1965, com a separação das Inspetorias do Norte e Nordeste, o padre Ferreirinha permaneceu no Norte, fazendo missão. No Amazonas, o verde das cidades de Humaitá e Manicoré é vibrante na memória do sacerdote. Às margens do Rio Madeira ele confessou e batizou muitos. “Não eram índios, eram indígenas, já com famílias misturadas com brancos, falavam português. Tinham umas tribos mais distantes que não falavam português, mas meu contato mesmo foi com essas comunidades que já estavam formadas há muito tempo”. Nessas comunidades ele foi professor de alfabetização. Fez muitas amizades e de lá herdou o jeito simples de celebrar, sem muito enfeite, mas com muita fé. “Eu celebrava com brancos e indígenas, tudo misturados. Me diziam – o senhor fala pra caboclo entender. Dizem por aqui que minha fala parece de estrangeiro, mas eu sempre falei assim.” Por lá, fez muitas amizades e até sanfonas distribuiu. “Tem uma que eu dei para um amigo chamado o Cabeça, que até hoje deve ter por lá. Hoje já deve estar com família feita.” Outra amizade duradoura ele teve com o bispo da região, Dom Miguel D’Aversa, que também era salesiano. Foram 34 anos trabalhando com ele. “Eu cheguei até pensar em virar diocesano, mas meu Inspetor me disse que era hora de voltar, que Dom Bosco estava me esperando. E realmente, meu compromisso era com Dom Bosco e com Nossa Senhora Auxiliadora. Em 2005 voltei pra Jaboatão, depois da morte de Dom Miguel. Em 2006 voltei pra Juazeiro”. PADRE E CATADOR 06 da manhã, poucas pessoas na Igreja, mas muitas ouvindo pelo rádio. De domingo a domingo, essa missa era sua, quem lhe tirou foi a pandemia. Hoje, o Padre Ferreirinha celebra às 06h da manhã na quinta-feira e na sexta-feira, mas também aos domingos, às 11h15. Batina preta, chapéu na cabeça, “parecendo o padrinho Padre Cícero” – é assim que a maioria dos paroquianos de Juazeiro falam do Padre Ferreirinha quando ele se traja para ministrar a confissão e a unção dos enfermos. “Essa batina eu herdei de um padre lá do Baixio das Palmeiras que morreu atropelado. A mãe oferecia para uns padres, mas os padres não queriam não. Eu disse que queria; ela me deu.” Não existe meio-termo: para alguns, é “santo”; para outros, “tenho medo”. Mas se tem algo que é unânime para ambos, é o respeito pelo sacerdote. Talvez a gênese dessa reverência ao padre Ferreirinha esteja no ano de 2007, quando ele passou a residir de vez em Juazeiro do Norte. À época, vendo a enorme quantidade de lixo que deixavam nos arredores da Igreja e do Colégio Salesiano, ele decidiu fazer algo diferente. “Me acordava cedo, saía nas ruas catando papel, lata, juntava para vender e ajudar os pobres. Eu só parei de catar nas ruas porque me disseram que era perigoso.” Ele deixou as ruas, mas começou a bater às portas das casas. “Eu cansei de ver ele andando pra cima e pra baixo com um sacão nas costas, cheio de recicláveis”, recorda José Odailson, alguém com quem o sacerdote fez amizade nas missas das 06h da manhã. Seu Odailson, como ele o chama, é cantor, toca violão e é dono de uma loja de autopeças, localizada na Rua São Pedro, no Centro de Juazeiro do Norte. Essa cena do padre com o saco nas costas que ele recorda era muito comum. Mas um dia o Colégio Salesiano decidiu lhe entregar uma caminhonete que pertencia à casa, uma D20 que fez história. “Como eu sempre recebo muita mercadoria, acabava sobrando caixas demais. A gente pegava, desmanchava as caixas, embalava e fornecia pra ele. Padre Ferreirinha ia muito lá. Aquela D20 dele saía cheia, mas cheia mesmo, a gente amarrava porque era muito material”. O próprio padre separava os recicláveis com as próprias mãos. Antes de adoecer, um canto na lateral do campo do Colégio era o seu refúgio. Debaixo de uma tenda, o sacerdote virava catador. Próximo dali, ficavam sua horta e seu galinheiro – eram o seu pequeno sítio, seu refúgio. Foi um costume que só parou depois de uma reforma feita na escola. Com a chegada da covid, o sítio parou de vez. “O que eu ganhava do dinheiro das reciclagens era tudo para os pobres. A gente mandava cestas básicas para os bairros Aeroporto, Frei Damião e vários outros. Tinha também o seu Zezé do frigorífico que me dava os ossos. Eu levava pras comunidades, lá faziam caldo e dava pra alimentar os pobres de lá”, recorda o padre, lamentando que hoje não possa fazer tanto como no passado. “Ainda bem que tem muita gente que manda deixar as coisas aqui em casa. Na última quinta-feira de cada mês a gente leva as cestas básicas para lá. Tem os doadores que já me conhecem. Padre Fábio (pároco) todo mês me dá também 6 cestas básicas para a gente levar para o bairro Aeroporto. Sempre tem famílias esperando, inclusive testemunhas de Jeová. Levamos mais de cem quilos. Me organizo com meu dinheiro, se me dão, é para os pobres.” EPÍLOGO “Vou completar 62 anos de sacerdócio e 72 de salesiano. Eu disse que ia tentar e tentei. Foi uma tentação boa”, é com esse afeto que, aos 95 anos de idade, Padre Ferreirinha recorda sua trajetória. Se passaram 78 anos, mas aquela madrugada em que saiu de casa, no escuro, com medo dos cachorros, continua viva em sua memória. A covid tentou derrubá-lo, mas não conseguiu. “Eu estava no sepulcro em 2021, mas sobrevivi.” Hoje, o Colégio Salesiano São João Bosco é centro de formação de novos salesianos. Para os pré-noviços, padre Ferreirinha já repetiu inúmeras vezes: “Não pensem que é Mastruz com Leite, o tempo todo não. É xique-xique com chá de Mandacaru”. Os salesianos mais jovens o olham com admiração - “Ah, Ferreira ainda vai enterrar nós tudim”, brinca o padre José Pereira, aos 47 anos. Apesar das limitações que a idade e a saúde quiseram lhe impor, ele não se deixa abater. Se acorda cedo, às vezes antes do sol, faz suas orações, toma seu café, sua fisioterapia, reza um, dois, três terços, dorme de novo, celebra nos dias para os quais foi escalado, toca sua sanfona – algo que aprendeu de ouvido, vendo sua mãe e seus tios manejarem. Sente saudade, recorda o Rio Madeira e canta: Ao fim da entrevista, perguntei o que ele pensava de sua própria história. Ele foi direto: “Vale a pena ser padre, vale a pena ser salesiano!”
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INSPETORIA | Pe. José Ferreira Lima, SDB: uma vida dedicada à missão entre os mais pobres

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2 de outubro de 2026
(Imagem: Juazeiro em Fotos - Facebook) Comunicamos com fé e expressão sincera de caridade cristã que, na tarde desta última quinta-feira, 01 de outubro, no Hospital Maria Lucinda, foi chamado para junto de Deus o nosso irmão: P José Ferreira Lima, SDB *27 de janeiro de 1928 – Mata Grande-AL +01 de outubro de 2026 – Recife-PE “Os salesianos demonstrarão amor e gratidão aos coirmãos, parentes e benfeitores chamados por Deus à eternidade, com orações de sufrágio pessoais e comunitárias” (R 76). Por isso, nos unamos na oração fraterna pelo conforto e a paz de seus familiares, de nossa Inspetoria e da Família Salesiana. Recomendamos ainda o sufrágio e a intenção, sobretudo nas nossas Comunidades, na Missa de 7º dia (a recordar-se na próxima quarta-feira, dia 07 de outubro). Informações sobre a celebração exequial e sepultamento, serão transmitidas em breve. QUEM FOI O P JOSÉ FERREIRA LIMA? O P José Ferreira de Lima nasceu em Mata Grande-AL, em 27 de janeiro de 1928. Foi batizado no mesmo ano (não consta local nem data precisa). Seus pais: Antônio Ferreira Lima e Maria José da Conceição. Uma família de romeiros, por isso, mudou-se para Juazeiro do Norte-CE. Assim, foi também aluno do Colégio Salesiano, onde conheceu Dom Bosco. Fez o aspirantado em Jaboatão dos Guararapes e Recife; fez o noviciado em Jaboatão (ano 1951) e professou em 31 de janeiro de 1952. Estudou Filosofia em Natal, nos anos de 1952 a 1954 e o tirocínio de três anos (1955 a 1957) em Belém do Pará-Colégio do Carmo; a Teologia (1958 a 1961) na Lapa, em São Paulo. A Ordenação Diaconal aconteceu em São Paulo, no dia 12 de março de 1961 e a Ordenação Sacerdotal, também em São Paulo, no dia 08 de dezembro de 1961. Depois da separação das Inspetorias Norte e Nordeste, em 1965, o P Ferreirinha ficou no “lado Norte”. Nas Missões, atuou de maneira especial, em Humaitá e Manicoré. Por longos anos, foi missionário itinerante, rio acima, rio abaixo, nas desobrigas em comunidades de caboclos, sobretudo nas décadas de 1970 e 1980. O ano de 1989, passou em Juazeiro do Norte, como vigário paroquial. No ano seguinte (1990) voltou para o Amazonas, permanecendo até 1994. Anos 1995 e 1996, voltou para Juazeiro do Norte-CE, como Vigário paroquial; Em 1997 e 1998, em Humaitá-Amazonas, como Vigário paroquial; Ano 1999, em Carpina-PE, como Vigário paroquial; Ano 2000, em Lajedo, como Diretor; Ano 2001, em Manicoré-Amazonas, como Vigário paroquial; Ano 2002, em Juazeiro do Norte-CE, como vigário paroquial; Ano 2003, em Porto Velho-Amazonas, como vigário paroquial; Ano 2002, em Juazeiro do Norte-CE, como vigário paroquial; Ano 2004, em Juazeiro do Norte-CE, como vigário paroquial e confessor; Ano 2005, em Jaboatão Colônia-PE, como vigário paroquial e confessor; Ano 2006, em Imaculada-Lajedo, como Confessor; A partir do ano 2007, em Juazeiro do Norte-CE, como Confessor. [gallery columns="1" size="large" ids="482831"] Confira a programação de eventos desta sexta, 02 de outubro, na cidade de Juazeiro do Norte (CE) - Manhã: chegada do féretro - 09:00: Primeira Celebração Eucarística (Preside o P Francisco Ataíde) - 12:00: Segunda Celebração Eucarística (Preside o P Fábio Luciano) - 13:00: Ofício dos Fiéis Defuntos - 15:30: Celebração Eucarística (Exéquias) (Preside Dom Magnus Henrique Lopes, OFMcap) - 16:00: Sepultamento no Cemitério da Capela de Nossa Senhora do Socorro Por Serviço Inspetorial de Comunicação Social com Informações da Secretaria Inspetorial
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IGREJA | “Prestar atenção”: Papa escolhe tema para Dia das Comunicações 2027

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Comunicação 1 de outubro de 2026
Tema convida à reflexão sobre a importância de uma real atenção diante de um mundo cada vez mais distraído; data será celebrada em 9 de maio do próximo ano. O Dicastério para a Comunicação divulgou, nesta terça-feira, 29 de setembro, o tema escolhido pelo Papa Leão XIV para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais: “Um novo olhar: ‘prestar atenção’ na era do clickbait”. A 61ª edição da data será celebrada em 9 de maio de 2027 na Solenidade da Ascensão do Senhor. Em nota divulgada pela Santa Sé, o Dicastério pontua que a economia da atenção, diante de um mundo marcado pelo fluxo rápido e interminável de conteúdos, tem transformado não só as capacidades cognitivas das pessoas, mas também a profundidade da comunicação interpessoal. “Somos chamados a uma conversão do nosso olhar: a renová-lo, com atenção e com amor. Só assim conseguiremos ver o mundo, os outros e também nós próprios como Cristo nos vê: chamados pelo nome e amados”, sinaliza a nota. “A nossa comunicação muda quando o nosso olhar opta por encontrar o outro em vez de o julgar”, acrescenta. A falta de uma verdadeira atenção, prossegue o texto, habituou o ser humano a uma rotina de reações imediatas, à superficialidade nas relações e a uma facilidade em rotular e rejeitar os outros. “A atenção é, pelo contrário, uma forma preciosa de generosidade”, pontua, “e a comunicação cristã pode redescobri-la como dom e como olhar – o de Jesus, que viu e se deixou tocar”. Comunicar não é captar ou vender a atenção, mas guardá-la como um recurso precioso de relação. Desta forma, para comunicar na era do clickbait, é preciso “prestar atenção” e redescobrir uma higiene da atenção. “A comunicação não se resume apenas em palavras: envolve a pessoa na sua totalidade e pede-nos que voltemos a olhar, a ouvir e a sentir, para podermos responder ao apelo que Cristo nos dirige”, conclui a nota. Por Canção Nova
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AMA | Curso sobre Daniel termina com forte participação e sede da palavra

AMA | Curso sobre Daniel termina com forte participação e sede da palavra

COMUNICAÇÃO SOCIAL 1 de outubro de 2026
Promovida pela Associação Missionária Amanhecer (AMA), formação conduzida pelo Pe. João Carlos, SDB, reuniu dez aulas e deixou como legado materiais de estudo, conteúdos disponíveis na internet e o testemunho de uma comunidade desejosa de conhecer mais profundamente a Palavra de Deus. Foram duas semanas de estudo, dez aulas, tarefas diárias e muitas horas de preparação. Chegou ao fim o Curso Bíblico sobre o Profeta Daniel, promovido pela AMA – Associação Missionária Amanhecer e conduzido pelo Pe. João Carlos Ribeiro, SDB. Mais do que concluir uma programação do Mês da Bíblia, a experiência revelou, segundo o salesiano, “uma grande sede de conhecimento da Palavra de Deus do nosso povo”. Com aulas de aproximadamente 35 minutos, o curso procurou apresentar o Livro de Daniel de maneira catequética, acessível e, ao mesmo tempo, fiel à riqueza do texto bíblico. A participação e o interesse demonstrados ao longo dos encontros confirmaram a boa acolhida da proposta. A última aula abordou a história de Susana e trouxe ainda um “resumão” de todo o percurso em dez pontos fundamentais. Como material complementar, os participantes receberam um e-book em duas versões: uma preparada especialmente para leitura em celulares e outra diagramada para impressão e leitura em papel. [gallery columns="1" size="large" ids="482823"] UM TRABALHO DE MUITAS MÃOS Por trás de cada aula houve uma intensa produção. Filmagem, edição, transmissão, preparação do cenário, elaboração das tarefas e materiais complementares exigiram muitas horas de dedicação da equipe da AMA e do próprio assessor. “Foi trabalhoso. Exigiu muitas horas de trabalho de nossa equipe para filmagem, edição e transmissão das aulas. Cenário com muitos detalhes. E muita pesquisa e estudo, de minha parte, também”, reconheceu Pe. João Carlos. Ao avaliar o resultado, porém, o salesiano resumiu com satisfação: “Foi muito bom.” Para ele, há ainda outro fruto importante: o conteúdo produzido permanecerá disponível na internet, ampliando o alcance da iniciativa e testemunhando, em suas palavras, “nossa fé católica e a seriedade do nosso estudo da Bíblia Sagrada”. MISSÃO EM SINTONIA COM A IGREJA No programa radiofônico Tempo de Paz, apresentado diariamente e retransmitido por mais de 200 emissoras, Pe. João Carlos destacou que a realização do curso representa mais uma etapa da missão evangelizadora da AMA, em sintonia com a caminhada da Igreja no Brasil e com a proposta de aprofundamento bíblico incentivada pela CNBB. Ao final das duas semanas, o sentimento manifestado foi de gratidão e satisfação, sobretudo diante do envolvimento dos participantes. Para o sacerdote, a experiência tornou evidente o desejo de muitos católicos de compreender melhor as Escrituras e alimentar a fé por meio do estudo da Palavra. E quem concluiu essa caminhada terá também uma lembrança especial: os participantes receberão o Certificado de Participação no Curso Bíblico sobre o Profeta Daniel. A recomendação é guardá-lo com carinho. Mais que o registro da conclusão de dez aulas, ele representa o compromisso de reservar tempo para conhecer e amar ainda mais as Sagradas Escrituras. A BÍBLIA CONTINUA ABERTA O encerramento do curso de Daniel, no entanto, não significa uma pausa na formação bíblica da AMA. Já na próxima segunda-feira será retomado o Curso sobre o Apocalipse, a partir do 18º encontro. A formação integra o projeto Segunda Bíblica, iniciado em março. Ao todo, estão programadas 30 aulas, com continuidade até dezembro. E há espaço para quem ainda deseja chegar. Tanto o Curso sobre o Profeta Daniel quanto o estudo do Apocalipse continuam acessíveis aos interessados. Informações podem ser obtidas diretamente com a AMA pelo WhatsApp (81) 98239-6686. No final do Mês da Bíblia, fica uma certeza que atravessou toda essa experiência formativa: a Palavra de Deus continua viva, atual e portadora de esperança. E quanto mais é conhecida, mais desperta o desejo de continuar aprendendo. Por Wilson Firmo
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RECIFE | Colégio promove encontros para conscientizar alunos e famílias sobre saúde emocional e segurança digital 

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ESCOLA E CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL 30 de setembro de 2026
O Colégio Salesiano Recife, por meio do Núcleo de Apoio Pedagógico (NAP), proporcionou aos nossos alunos, pais e responsáveis o encontro “Conexões Que Fazem Bem”. O evento foi um momento especialmente preparado para promover diálogo, reflexão e conscientização sobre temas que fazem parte da vida de nossas crianças e adolescentes. No Teatro Boa Vista, os alunos do Ensino Fundamental Anos Finais e do Ensino Médio participaram da palestra "Saúde mental na escola: a importância e os impactos das relações interpessoais". Com a participação dos palestrantes Rodolfo Nascimento e Matheus Vinicius, foram tratados assuntos sobre saúde mental, relações interpessoais e a importância de construir vínculos saudáveis no ambiente escolar e na convivência cotidiana. A iniciativa também reforçou as ações desenvolvidas pela escola durante o mês de conscientização e valorização da vida. [gallery columns="2" size="large" ids="482811,482812,482813,482814"] Para a psicóloga responsável pelo setor do Ensino Fundamental Anos Finais, Rosiana Marinho, esse momento de diálogo claro com os estudantes é positivo para que eles compreendam a importância de manter boas relações com os demais e os impactos que situações como o bullying podem causar na vida das pessoas: “É importante para que os alunos entendam a importância das relações e da manutenção correta para um bom convívio, para um controle de todas as questões sociais e emocionais, e para todos os vínculos saudáveis que eles podem ter durante todo o processo de sua vida escolar.” Já no Auditório Paulo Freire, pais e responsáveis estavam reunidos para conhecer e aprender ainda mais com o programa Guardiões da Infância, da Polícia Federal. Durante esse momento, foram abordados temas fundamentais para a proteção e o bem-estar de crianças e adolescentes no ambiente digital. A conversa também reforçou a importância de construir um canal de confiança com os filhos e de compreender como educá-los diante de uma realidade digital que está em constante transformação. “Esse é um tema bastante atual, trouxemos pais de diversos segmentos da escola e pudemos ter uma troca muito proveitosa sobre isso, na qual cada um pôde falar das suas experiências e tirar suas dúvidas”, destacou Beatriz Costa, psicóloga responsável pelo setor do Ensino Fundamental Anos Iniciais. A participação dos pais e responsáveis foi fundamental. Os desafios relacionados à saúde emocional, à convivência e à segurança no ambiente digital fazem parte da realidade de nossas crianças e adolescentes e exigem que exista uma grande parceria entre família e escola. Ao abrir espaços para escuta, diálogo e orientação, o Salesiano Recife fortalece os vínculos com as famílias e contribui para que nossos alunos encontrem, tanto na escola quanto em casa, ambientes de acolhimento, segurança e confiança para crescer e se desenvolver de forma integral. Por Laís Tavares
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BAHIA | Setembro Amarelo mobiliza educadores Salesianos em ações de cuidado, escuta e pertencimento

BAHIA | Setembro Amarelo mobiliza educadores Salesianos em ações de cuidado, escuta e pertencimento

ESCOLA E CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL 30 de setembro de 2026
Encontros realizados ao longo de setembro reuniram educadores pedagógicos e administrativos em dinâmicas que destacaram o impacto das palavras, da escuta e dos pequenos gestos de acolhimento Uma palavra pode transformar a forma como alguém se sente. Um gesto de atenção pode fortalecer um vínculo. E uma pergunta feita no momento certo pode fazer diferença diante de uma situação difícil. Foi a partir dessas reflexões que os Salesianos Bahia promoveram, ao longo do mês de setembro, momentos dedicados ao Setembro Amarelo, envolvendo educadores pedagógicos e administrativos das casas da rede. Para os educadores pedagógicos, o encontro aconteceu no início do mês, com dinâmicas voltadas à reflexão sobre cuidado, pertencimento e a forma como as palavras podem impactar o outro. Já os educadores administrativos participaram da ação no final de setembro, dentro da programação da Jornada de Desenvolvimento, promovida pelo Recursos Humanos. Entre as atividades realizadas com os educadores pedagógicos, uma das dinâmicas utilizou duas maçãs como forma de representar os efeitos que as palavras podem provocar. Os participantes direcionavam palavras positivas para uma das frutas e palavras negativas para a outra. Ao final, as maçãs foram cortadas e, enquanto aquela que recebeu palavras positivas permanecia preservada, a outra apresentava manchas escuras em seu interior. A experiência trouxe de forma simbólica a reflexão sobre aquilo que nem sempre é possível enxergar externamente e sobre como as palavras podem deixar marcas. [gallery columns="1" size="large" ids="482801"] Durante o encontro com os educadores administrativos, outra dinâmica utilizou um cordão que passava de pessoa para pessoa. Ao recebê-lo, cada participante compartilhava o motivo pelo qual deveria repassá-lo a outro colega. A atividade criou um movimento de reconhecimento e valorização, evidenciando a importância de perceber as qualidades e contribuições de quem está ao nosso lado. Para Leila Santos, Coordenadora de Recursos Humanos dos Salesianos Bahia, ações como essas ajudam a transformar o cuidado em uma prática cotidiana. “Ações simples, como compartilhar palavras positivas, ouvir com atenção e demonstrar acolhimento, ajudam a fortalecer a confiança, a empatia e o sentimento de pertencimento. Essas atitudes também contribuem para reduzir tensões, melhorar a comunicação e prevenir o isolamento. Assim, pequenos gestos de cuidado favorecem um ambiente de trabalho mais respeitoso, solidário e atento às necessidades emocionais e profissionais de todos.” O cuidado também está diretamente relacionado à missão educativa Salesiana, que compreende a educação como presença, escuta e construção de vínculos. Essa dimensão começa entre os próprios educadores: ao cuidar de quem educa, fortalecem-se as relações e cria-se um ambiente em que as pessoas podem se sentir pertencentes e valorizadas. A proposta reforça, no cotidiano, uma educação que coloca a pessoa no centro e reconhece que os vínculos também educam. No Setembro Amarelo, a mensagem ganha ainda mais força: cuidar, ouvir, acolher e reconhecer o outro são atitudes que podem começar em pequenos gestos, mas que contribuem para construir ambientes mais atentos, humanos e solidários. Por Comunicação Salesianos Bahia Imagem: Luisa Alana
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